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14-05-08

Proibidão do Samba

O Almir Guinéto, autor de um clássico doce como "Conselho", tem pelo menos um pagode do mal no currículo, pura ginga do capeta. O Bezerra da Silva, que Deus o tenha, tirava sua onda, mas esse tal samba do Guinéto é o True Norwegian Black Metal.

Caso Sério (A Melô do X-9)
Almir Guinéto / Arlindo Cruz / Beto Sem Braço

(Pra que dedurar?)
Se você pensa em me dedurar,
Esse brinquedo vai virar um caso sério (um caso sério)
Pode dividir sua herança,
Você vai virar lembrança
Eu vou te mandar pro cemitério

Mas se você refletir a tempo,
Posso dar um tempo em minha intenção
É muito bom cantar amizade
Pra que errar sem necessidade?

Quem anda certo está sempre protegido
Sempre quer ir, pois o bem o favorece
Quem anda errado, pode crer, anda impedido
Pois cada um recebe o prêmio que merece

Se queres ter longa vida, está só no seu critério
Seu desaparecimento vai ser um grande mistério
(Por quê?)
Eu vou te mandar pro cemitério
Deus me livre, o que eu não quero é que destruam o meu império
(Por quê?)
Eu vou te mandar pro cemitério


Acompanha bem um Johnny Cash 14 anos. Gravado em Manhattan, 1994, um clássico da ignorãça ao vivo: Delia's Gone - ou Como Cantar um Homicídio Triplamente Qualificado e Sair na Boa.

One more round, Delia's Gone

lançado por david às 00:38 | 3 cantando e rodando

14-04-08

Ado-a-ado

Para uma palavra-chave pegar em política, ela tem que ser curta. Vamos supor que o "dossiê" seja, de fato, um "banco de dados" - que seja, pouco vale: "dossiê" fica, "banco de dados" voa e soa como uma promissória, expressão velha e cartorial. O mesmo para a "mensalão" x "caixa dois de campanha". Uma dá liga, outra empaca.

Teste rápido, pop: para uma palavra-chave pegar, ela tem que encaixar na "Dança do Quadrado". Se não encaixar, não vale.

lançado por david às 19:36 | 0 cantando e rodando

12-03-08

Cretinismo, o estágio superior do babaquismo

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Um espectro ronda a peruca de Trump

O capitalismo está em crise. O comunismo é hoje a imagem de um ditador decrépito, o socialismo depende da ruína mental de seus detratores para, em contraste, soar “razoável” e o muro, “o” muro, agora é da Cisjordânia: pouco faz, nenhuma frase pós-1989 destronou O capitalismo está em crise – não há nada mais hipnótico no varejo das frases feitas do que isto, O capitalismo está em crise.

Não é ironia de reacionário – é reconhecimento genuíno: só O capitalismo está em crise é “bengala” o suficiente para (1) atordoar quem ouve, (2) investir de autoridade quem fala e (3) dar tempo para pensar no que dizer sobre violência, transcendência ou falta de papel higiênico¹. Olavos, reinaldos e outros bizantinos do Irajá não podem nada contra isto, O capitalismo está em crise.

Pegue uma reunião de condomínio² e um vazamento na coluna do prédio, daquelas cachoeiras em potência. Os moradores terão de arcar com o custo da reforma. Será pesado, mas, no longo prazo, valerá a pena é uma facada neoliberal. O capitalismo está em crise. Os moradores terão de arcar com o custo da reforma. Será pesado, mas, no longo prazo, valerá a pena é um chamado de esperança, uma utopia de encanamento. Dona Maria, minha vizinha iluminista, guentaí que vale a pena, afinal O capitalismo está em crise.

Ao que interessa. Mesmo sem facho de luz proletária, sem Dasayev no gol, sem sorriso de Ceauşescu e sem ouriço da Albânia, O capitalismo está em crise levou muitas companheiras a “doar em vida”³ nos últimos 19 anos. Não se mexe em vanguarda que tá conspirando. Nos centros acadêmicos e em outros ambientes menos salubres, ainda funciona que é uma beleza o tal O capitalismo está em crise.

Segurai a onda, filisteus, segurai. Até que surja máxima melhor, O capitalismo está em crise. Ainda.

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¹ Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, circa 1999.

² O generais-de-pijama bem o sabem: o condomínio é a arena política da classe média.

³ Sinônimo de "dar" no bom sentido, segundo um amigo comunista.

lançado por david às 00:43 | 1 cantando e rodando

12-02-08

Pagando um golem

Então quer dizer que a revisão de uma oração em latim fez a comunidade espinafrar o copydesk do Vaticano?

O texto original:

Oremos pelos judeus, para que Deus retire o véu que cobre seus corações e os faça conhecer nosso senhor Jesus Cristo.
Eis a versão 2.0, ratzingada:
Que o Senhor ilumine seus corações, para que (os judeus) reconheçam Jesus Cristo como Salvador de todos os homens.
A retirada da expressão “véu” diminuiu a dramaticidade da fórmula, sem comprometer o sentido - "a judeuzada tá no breu".

O presidente da Assembléia dos Rabinos da Itália, Giuseppe Laras, não ficou satisfeito. De acordo com ele, o problema mora no apelo mesmo à conversão.

Calma aí, patrício, calma. Pedir à Igreja Católica que deixe de ser, numa bolada só, “Apostólica” e “Única" é um pouco demais. Seria mais realista sugerir uma mudança de ares - para que ela deixasse de ser “Romana” (Avignon ainda tem seu charme e Tegucigalpa, afinal, é logo ali). Não, não dá. Nossa hipersensibilidade, aguçada por trinta séculos que não foram propriamente um passeio no parque, às vezes nos prega uma peça – e mais do que um mico, pagamos um golem de quando em quando.

Saímos até na boa. O Bento poderia ser mais franco:

Que Deus toque seus corações, para que os judeus optem finalmente se dão* ou descem**.
Aqui só se comenta notícia velha. Questão de príncipio.

-----------
*... a mão à palmatória.

**... ao inferno.

lançado por david às 00:38 | 1 cantando e rodando

10-01-08

Tem que ter habilidade

hellobammy.gif
A pedidos

O Obama pode perder, mas ninguém tira. Ele é o único orador "créu-velocidade 5" da cambada.

lançado por david às 12:59 | 4 cantando e rodando

09-01-08

A guerra é deles

O Pedro Dória resumiu o espírito do tempo.

A blogosfera brasileira é um poço de intolerância ideológica. Imagino que seja muito divertido estar à direita chamando a esquerda de ‘petralha’ ou estar à esquerda acusando a existência de uma ‘mídia golpista’. Pois bem, de minha parte não sento na torcida do Vasco de jeito nenhum. Mas futebol serve mesmo à irracionalidade.
Existem muitas corrupções, mas é pela corrupção do espírito (no sentido da inteligência, não das manifestações de terreiro) que a casa começa a ruir. Desde meados de 2005, auge da crise do mensalão, o caldo vem desandando. Dos dois lados.

Esse mal, em si, está incubado há mais tempo. Levando a sério a máxima de que só se deve recair na autocitação em prejuízo próprio, vale relembrar um diagnóstico errado feito neste blog, há mais de dois anos, na ressaca dos e jeffersons, valérios e delúbios:

Observem. Uma série de blogs interessantes, à direita e à esquerda, desceu à caricatura. Suas cores e lemas berram à vera, mas esclarecem pouco, pouco demais. Cansou. Ninguém faz cruzadas em caixas de comentários ou revoluções com posts bem azeitados.

Haveria algum consolo, talvez, se essa guerra bufa fosse fruto de um mal genuinamente nacional, uma Doença de Chagas do espírito. Quem dera. O vírus que se abate nasceu em outras bandas. Vem lá de cima, do Norte.

Equívoco total. Há um consolo torto sim. A moléstia é nossa mesmo. É a Chagas das idéias, sem tirar, nem pôr. Não tem germe americano na parada, nada de foxização. São as frustrações à direita e à esquerda com a nossa redemocratização que estão no DNA dessa cagada toda. As aspirações tolhidas de quem se vê na oposição, os gritos abafados daqueles que, por força maior, atendem ao apelo das razões de Estado, a volta de um sonho revolucionário na forma de frustração, o desejo mal disfarçado de restaurar uma certa "ordem", todo o mal-estar da já não tão novíssima república conspira para corromper o debate.

O interessante é que os termos da guerrinha em curso são fixados de antemão por gente com contas a acertar com 68. São eles os pitaqueiros da antiga, os hoje "blogueiros-novos", que viveram o turbilhão sessentista ou que, por algum capricho do coito, nasceram tarde, mas a tempo de se formarem à sombra do ano-chave. São cabeças e, principalmente, bocas de outra geração¹.

Se passarmos a prestar atenção às palavras que tomamos emprestadas deles, talvez venhamos a notar que a nossa língua, apesar de parecida, é outra.

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¹Retórica gerontólogica. Taí uma disciplina a ser explorada.

lançado por david às 13:36 | 3 cantando e rodando

22-07-07

Contra a canalhice

Silêncio.


Não quero que vocês percam a esperança neste país, mas, para mim, ele morreu, como morreu meu filho.

A frase, registrada pela Globo, é do pai de uma das vítimas do acidente em Congonhas. Eis a dor sem adjetivo.

O mal-estar, amigos, não pode ser etiquetado. Não existe mal-estar governista ou mal-estar de oposição, há só o fato da náusea. Se a náusea insiste em ter partido, ela ainda não é náusea suficiente.

Quem perde um mundo, quem perde um país, quem perde um filho esquece para que servem essas bandeiras. Se você não consegue esquecê-las, simplesmente não se deu conta de que perdeu o mundo, o país ou o filho.

lançado por david às 00:45 | 3 cantando e rodando

03-06-07

O post contém palavras em latim

1964 corrompeu a conversa de bar. Plantou no meio da mesa, entre o pastel e o guardanapo, um espantalho caboclo de nome reductio ad dictaturam, uma versão tupinambá do reductio ad hitlerum. Qpee*: quando alguém quer desqualificar um argumento alheio, reduz, assimila a posição adversária ao que há de pior no mercado (no caso, o regime militar ou o nazismo). USP ocupada, exército na rua, controle da internet, à direita, à esquerda e no meio do nada: golpe baixo elimina.

A gente volta a se falar quando esse cacoete cair no status da coçada em público.


*Stands for "que porra é essa?"

lançado por david às 14:21 | 2 cantando e rodando

06-04-07

Coé, neguinho, coé

Como falaria um deus relativista?

- Ó, Moisés, vai lá, desce e fala pro povo largar mão daquele bode folheado.

- OK.

....

- Por que voltou tão cedo?

- Levei um pau danado. A hebreuzada me botou pra correr, suei pra voltar vivo. Por que você me mandou sabendo que eu ia me estrepar bonito?

- Você me interpretou errado, Moisés, você me interpretou errado.

- Só.

lançado por david às 00:08 | 1 cantando e rodando

12-12-06

Primeiro giro do sétimo círculo

pinochetdante.jpg
Divina Comédia, Inferno, Canto XII, 46: boa hora pra Dante


Ma ficca li occhi a valle, ché s'aproccia
la riviera del sangue, in la qual bolle
qual che per vïolenza in altrui noccia

lançado por david às 10:27 | 1 cantando e rodando

06-11-06

A whimper (TS fucking Eliot)

This is the dead land
This is cactus land
Here the stone images
Are raised, here they receive
The supplication of a dead man's hand
Under the twinkle of a fading star.

lançado por david às 03:14 | 1 cantando e rodando

07-02-06

O que os consultores não dizem

Um mal adjetivo arruina um negócio. Faz ruído e torce a mensagem. Exemplos estão no foro, lá fora.

Caso 1 (real):


Venha. O hotel é limpo

Caso 2 (provável):

Vote. O candidato é honesto.

Em ambos, o adjetivo traz à baila seu contrário (sujo em 1, desonesto em 2). É da mecânica da desconfiança: se os próprios negociantes consideram seu ramo podre e a exceção digna de nota, por que acreditar que o vendedor modelo está ali, bem diante de você, potencial consumidor? É estatisticamente improvável e mais, estranho.

Se é o básico que se mostra, imagine o que se esconde.

lançado por david às 12:29 | 1 cantando e rodando

01-02-06

Into the void

bush-walking_4.jpg
Lame duck walking?

O discurso do Estado da União não teve nem o mérito de ser ruim. Mais do mesmo - e morno.


Congress did not act last year on my proposal to save Social Security, yet the rising cost of entitlements is a problem that is not going away - and with every year we fail to act, the situation gets worse.

Com alguma boa vontade, este foi o único momento de surpresa. Entendendo o recado, os democratas aplaudiram de pé, com ironia.

lançado por david às 13:40 | 0 cantando e rodando

20-01-06

Chomsky gostou

Bin Laden fala. Que se escute.

A última do saudita foi propor uma trégua para os EUA - uma trégua peculiar, por certo, com toda a cara de rendição: eis o lide universal.

Se tiver paciência, desça os olhos pela íntegra do discurso e confira mais um pouco: o Beato Salu da Al Qaeda indicou um livro que não "o" Livro. O autor é William Blum, um americano que escreveu isto aqui, dizem os arcanos do Google:


If I were the president, I could stop terrorist attacks against the United States in a few days. Permanently. I would first apologize to all the widows and orphans, the tortured and impoverished, and all the many millions of other victims of American imperialism. Then I would announce, in all sincerity, to every corner of the world, that America's global interventions have come to an end, and inform Israel that it is no longer the 51st state of the USA but now -- oddly enough -- a foreign country. I would then reduce the military budget by at least 90% and use the savings to pay reparations to the victims. There would be more than enough money. One year's military budget of 330 billion dollars is equal to more than $18,000 an hour for every hour since Jesus Christ was born. That's what I'd do on my first three days in the White House. On the fourth day, I'd be assassinated.

O Barba citou o início desse trecho. Esperto. Para cada auditório, um repertório.

lançado por david às 02:44 | 5 cantando e rodando

Pelas barbas do terrorista

De Bin Laden a Bruce Lawrence, especialista em Estudos Islâmicos da Duke University. Dá pra passar sem?

lançado por david às 02:43 | 0 cantando e rodando

Os libertários perderam o trem

It's a paradox: The party with grand ambitions for government is suspicious of the office that could best achieve them, while the party broadly opposed to the use of government power wants to get its hands on as much of it as possible.
É da dinâmica da política americana. O debate sobre os limites do poder executivo federal persiste - e os interlocutores se revezam nas posições de força. Quem hoje trabalha para domar a besta pode muito bem defender, no futuro, que se solte a rédea, com gosto. E vice-versa.

Estar dentro ou fora do governo afeta, mas não determina qual lado ocupar no tabuleiro. Em 2006, os democratas estão na oposição e habilmente tocam nas teclas da concentração e do abuso de poder para atacar os republicanos. Há vinte anos, os mesmos democratas denunciavam uma administração que, por ideologia, reduzia a esfera do Estado.

Some isso a alguma perspectiva histórica e conclua: cada parte adequa a sua atitude diante do Estado às condições para levar adiante a própria agenda. Para os republicanos, por exemplo, faz sentido tratar questões morais na esfera federal, dada a impossibilidade de prevalecer no deixa-solto dos states' rights.

Estatolatria ou estatofobia são, neste jogo, ditadas pela conjuntura.

lançado por david às 02:21 | 0 cantando e rodando

08-12-05

Leiam o original, com urgência

God is good. God is great. God is good. My God is good. Bin Laden’s God is bad. His is a bad God. Saddam’s God was bad, except he didn’t have one. He was a barbarian. We are not barbarians. We don’t chop people’s heads off. We believe in freedom. So does God. I am not a barbarian. I am the democratically elected leader of a freedom-loving democracy. We are a compassionate society. We give compassionate electrocution and compassionate lethal injection. We are a great nation. I am not a dictator. He is. I am not a barbarian. He is. And he is. They all are. I possess moral authority. You see this fist? This is my moral authority. And don’t you forget it.
Assim, Harold Pinter imaginou W.. O "exercício" faz parte do discurso de aceitação do Nobel de Literatura deste ano, uma fala gravada. Ouro.

Concorde-se ou não com o conteúdo (e a casa tem lá suas muitas divergências), há de se reconhecer a força, vital mesmo, do pronunciado. Mesmo frágil, Pinter laçou ethos, pathos e logos pelo pescoço para, em questão de menos de uma hora, ir do teatro imaginado ao teatro vivido: da ficção à política. Só um criador maduro, seguro dos meios, pode fazer essa transição de maneira elegante. E Pinter fez.

Bravo!

lançado por david às 02:59 | 1 cantando e rodando

02-12-05

O nível do debate (Venezuela)

chavez_angelico.jpg
Hugo, boss
Se ha activado una nueva conspiración contra Venezuela y no voy a acusar aquí a los perros sino al amo de los perros: el gobierno de los Estados Unidos.
Diagnóstico: raiva.

lançado por david às 01:35 | 2 cantando e rodando

09-11-05

Reston fidèles

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L'étendard sanglant est levé!

Discursos movem. Quando bem compostos e enunciados, soam a palavra na História. Em discurso à Assembléia Nacional, o primeiro-ministro da França, Dominique De Villepin, fez girar a roda.

Eis o fecho:


Il est temps que la violence cesse: car chacune des heures que nous venons de vivre constitue une épreuve pour nos compatriotes. L’inquiétude et la tristesse, la colère parfois, ont gagné le pays. La France est blessée. Elle ne se reconnaît pas dans ces rues et ces quartiers dévastés, dans ce déchaînement de haine et de violence qui saccage et qui tue.

Alors bien sûr, le retour à l’ordre est la priorité absolue. Le gouvernement l’a montré, il prendra toutes les dispositions nécessaires pour assurer la protection de nos concitoyens et rétablir le calme. La sécurité est le préalable à tout.

Mais prenons ces événements comme un avertissement et comme un appel. La France n’est pas un pays comme les autres. Jamais elle n’acceptera que des citoyens vivent séparés, avec des chances différentes, avec des avenirs inégaux. Depuis plus de deux siècles, la République a su faire une place à chacun en mettant au premier rang les principes de liberté, d’égalité et de fraternité. Elle a fait grandir sur notre territoire des intelligences, des volontés, des sensibilités et des talents exceptionnels. Elle est une promesse de réussite pour tous. Elle est un rêve partagé entre des Français d’origine et de condition différentes.

Restons fidèles à la promesse et à l’exigence républicaines. A tous les jeunes avides d’espoir, de générosité et d’ouverture, à tous ces enfants qui grandissent dans les quartiers et ailleurs, offrons un autre visage de la France, donnons leur le meilleur de nous-mêmes.

Je vous remercie.


À altura da hora. Do tamanho da crise.

Sim, De Gaulle (La Frrranceee) faria melhor, mas ficou bom assim.

lançado por david às 13:18 | 3 cantando e rodando

07-09-05

Contra todos

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Luke, I'm your father

Absolvam o neologismo e considerem. Existe uma "foxização" em curso. Debates se degeneram cada vez mais em luta e, de pouco em pouco, o convencer cai em desuso. Se ninguém parece mudar de opinião mesmo, por que persuadir? Só aborrece e cansa. Vale, antes, reforçar o moral da própria tropa - é o diabo da polarização em pleno bote: pão ou pau.

Observem. Uma série de blogs interessantes, à direita e à esquerda, desceu à caricatura. Suas cores e lemas berram à vera, mas esclarecem pouco, pouco demais. Cansou. Ninguém faz cruzadas em caixas de comentários ou revoluções com posts bem azeitados.

Haveria algum consolo, talvez, se essa guerra bufa fosse fruto de um mal genuinamente nacional, uma Doença de Chagas do espírito. Quem dera. O vírus que se abate nasceu em outras bandas. Vem lá de cima, do Norte. E sim, Marcus, Leila e Smart, o pecado original de importá-lo foi de uma certa direita que, de dias para cá, anda meio sacudida: sem calças e sem juízo. Deve ser efeito do vento.

lançado por david às 14:32 | 7 cantando e rodando

06-09-05

Retórica para desesperados

Debata. Caso a maré vire, não despenque. Se cair, não chafurde.

Aplicação prática:

Quando intimidado e pego no pulo, fuja da tentação de se igualar ao adversário no pior. Frases como "não há ninguém menos incompetente" ou "todos transgridem" equivalem a rendições sem honra. Não há alívio em ser tão canalha ou inepto quanto o vizinho. Assim como a desonestidade, a incompetência é bem inalienável. Sempre tem dono.

lançado por david às 16:08 | 0 cantando e rodando

09-08-05

Nova fornada

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Quem entra neste site sem passear pelo resto do portal não aproveita a festa toda. Aqui está o roteiro atualizado da terra incognita:


Porta de entrada: http://www.apostos.com

Blogma (carta magna): http://www.apostos.com/blogma.html

Farsante (velha guarda): http://brunorabin.apostos.com/index.html

Márcio Guilherme (velha guarda): http://marcioguilherme.apostos.com/index.html

Naïf Gendarme (velha guarda): http://igorbarbosa.apostos.com/index.html

Passa o Sal (cara nova): http://www.apostos.com/daniela/

Rinoceronte (cara nova): http://www.apostos.com/rinoceronte/

Porco Capitalista (personagem): http://www.apostos.com/porco/

Todos A Postos (coletivo): http://todos.apostos.com/index.html


Boa viagem.

lançado por david às 00:52 | 0 cantando e rodando

30-07-05

Seios de carburador



As he stared at her ample bosom, he daydreamed of the dual Stromberg carburetors in his vintage Triumph Spitfire, highly functional yet pleasingly formed, perched prominently on top of the intake manifold, aching for experienced hands, the small knurled caps of the oil dampeners begging to be inspected and adjusted as described in chapter seven of the shop manual.

O parágrafo é de Dan McKay, vencedor da edição 2005 do concurso Bulwer-Lytton. Há mais de duas décadas, o Departamento de Inglês da californiana Universidade de San Jose toca a brincadeira. Dentre um multiverso de gororoba, os jurados escolhem o melhor do pior. Quem compete busca redigir o mais medonho parágrafo de abertura para um romance imaginariamente medonho. Senso de humor e falta de vergonha ajudam.

Sphincter, the gladiator, girded his loins in preparation for today's games, glad to be part of the season opener since he hadn't been sure until yesterday that his contract would be renewed, given his slump during the Germans-versus-lions series but he knew that swatting Germans into the lion's pit was trickier than it looked and he told the officials that they should look at his other stats, not just Huns batted in.

Agradeçam a Robert Peltzer, vencedor da categoria Ficção Histórica.

lançado por david às 01:36 | 0 cantando e rodando

02-05-05

Craques jogam fácil

O problema é que as discussões em geral começam do meio para o fim. As partes frequentemente iniciam o debate mostrando suas discordâncias com questões em andamento, e daí em diante, a querela toma um de dois rumos: ou termina com grande alarido, choro e ranger de dentes, ou com um progressivo reconhecimento, de parte a parte, de que a discussão tem que "andar pra trás", até que se cheguem às premissas de cada parte. No primeiro caso a discussão é pura erística, no segundo, é um processo de conhecimento.
Sim, o cara escreve o blog mais esperto do Brasil. Não tem pra ninguém. Um bom recanto em meio à selva de mediocridade enfeitada, egomania e raiva sem quê.

lançado por david às 18:18 | 7 cantando e rodando

     
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