02-07-09
Minha opinião sobre o jornalismo que conhecíamos
Quando um mico se aferra ao seu status de mico e bate as patinhas no seu peito dourado para dizer "gente, eu vivo ameaçado", taí o sinal de que esse mico neurastênico, internado na decadência besta de uma floresta de encanto, não só não pode, como já desistiu de ser gorila.
lançado por david às 19:51 Jornalísticas | 1 cantando e rodando

11-05-09
Debate com tempero
Abaixo, segue a capa do Meia Hora do último sábado. Foi o Bruno que mandou. Publiquei antes da autorização dele, em nome do interesse maior:

Se liberar, a playboyzada queimadora vai continuar 'playboyzada', não adianta.
lançado por david às 07:17 Jornalísticas | 4 cantando e rodando

08-04-09
Um cabo com jornais na ponta

Quando topei na rua com essa coisa (sei lá o nome dela), relembrei da frase oracular do João do Rio: "o jornalismo é o empalamento da alma". É hipérbole, claro, mas, se reclamar é do métier, que se faça com uma foto original e uma citação ainda pouco rodada.
lançado por david às 21:33 Jornalísticas | 2 cantando e rodando

28-03-09
liberdade
O Congresso em Foco disse esta semana que o Ministério da Justiça anda trabalhando numa minuta barra pesada para substituir a maldita Lei Azeredo:
Agora, o MJ, influenciado por setores da Polícia Federal e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), quer radicalizar. Pelo substitutivo do senador tucano, ficariam guardados os horários de log on (entrada) e log off (saída). Já na minuta do ministério, além de todos os dados de tráfego, os provedores seriam obrigados a registrar o nome completo, filiação e número de registro de pessoa física ou jurídica.
Além disso, ele acrescenta a possibilidade de, a partir de requisição do MP ou da polícia, que todos os dados sejam imediatamente preservados. Esse artigo foi construído especialmente para a PF, que já havia se manifestado favoravelmente à ideia. Em novembro do ano passado, durante audiência pública, o delegado federal Carlos Eduardo Sobral, da Unidade de Repressão a Crimes Cibernéticos da instituição, afirmou que era necessário acrescentar essa possibilidade à lei.
A minuta estabelece que os provedores de acesso devem ter a capacidade de coletar, armazenar e “disponibilizar dados informáticos para fins de investigação criminal ou instrução processual penal”. Também prevê que, após o pedido do MP ou da polícia, os dados de navegação sejam entregues imediatamente mediante ordem judicial.
Como o Ministério ainda não divulgou o texto, cabe ao governo o benefício da dúvida (entre outras possibilidades: o vazamento pode ter sido "seletivo", a minuta pode não passar de um esboço abandonado, e pode interessar à turma do Azeredo colocar um bode na sala).
O que dá para dizer por agora, isso sim, é que, se a proposta sair nesta linha, vamos finalmente ver quem tem garrafa pra vender na internet brasileira. Aceitar a lógica do suspeito-até-que-se-prove-o-contrário, presente já no texto do Azeredo, é aviltamento. Não tem outro nome. O corolário do "quem não deve não teme" é "não vou reclamar até pisarem no meu calo". Pois bem. Se essa abominação legal for adiante, os calos todos serão pisados, interessados ou desencanados, de direita ou de esquerda, no federal ou no estadual. Quem vigia Chico, bisbilhota Francisco. Não adianta chiar depois.
lançado por david às 12:07 Jornalísticas | 3 cantando e rodando

16-03-09
No Dundas dos outros é trabalho
A Denise analisou há pouco uns comunicados consulares britânicos feitos no Brasil durante o século XIX. Pelo que consegui surrupiar das anotações dela, o material tem lá seus momentos. No dia 29 de outubro de 1870, por exemplo, o cônsul em Santos, Mr. Dundas, enviou um extenso relato sobre as condições sócio-econômicas da província de São Paulo. Numa passagem, o diplomata desanda a reclamar da suposta falta de disposição dos brasileiros para o trabalho à vera. De acordo com ele, "o dinheiro não serve como um atrativo, e o orgulho profissional parece em falta (por aqui)". "O brasileiro é indolente, não liga para como o serviço é feito, desde que seja feito", afirmava então o tal Mr. Dundas. Mesmo assim, dizia ele, era comum a situação em que o "inglês perdia a cabeça e permitia que o nativo, ao qual (ele mesmo) havia dado lições, lhe superasse". O cônsul atribuía a modorra brasileira ao "feijao", uma planta tão "fácil de crescer" a ponto de inspirar "pouco ânimo em trabalhar".
Não consegui de deixar de lembrar do topo desta matéria recente da Economist:

lançado por david às 21:15 Jornalísticas O capitalismo está em crise | 10 cantando e rodando

20-02-09
O dia depois de amanhã, e depois
Aquele post-que-nunca-acaba meio que esgotou o caso da Paula Oliveira, mas, enfim, lá vai esta para registro: a ironia desta história é que, se a promotoria, a polícia e a tal revista suíça estiverem certas, as mais afetadas pelo backlash serão as não-Paulas, as mesmas que, por preconceito, não enquadraríamos na categoria do "ah, mas essa mulher não teria motivos para fazer algo assim". Seriam as não-Paulas, imigrantes mais pobres, menos brancas, algumas ilegais, que teriam (ainda) menos crédito na próxima vez, na próxima denúncia. Em outras palavras, esse melê, que ganhou força por efeito da identificação dos "formadores de opinião" (afe) e de parte significativa do público com "uma de nós", pode acabar se virando contra os "outros" brasileiros, os do lado de lá. Críticas à imprensa e ao governo podem ser achadas em qualquer outro canto, aos montes e com mais brilho. Ao nosso umbigo, portanto: nosso complexo de vira-lata, somado aos nossos preconceitos de classe e cor, nos visitarão outro dia, outra vez, e nós, constrangidos só na aparência, diremos "bem-vindos".
lançado por david às 13:49 Jornalísticas | 1 cantando e rodando

13-02-09
Onde começa a minoria?

Em 2002, mais de quarenta por cento da população suíça foi contrária à concessão de direitos laborais aos imigrantes legais. Um plebiscito cujo resultado tem a configuração 60%-40% revela um país profundamente dividido. Essa taxa diz muito sobre a dificuldade tremenda do país quanto à aceitação da diversidade etnocultural – e eu não sei porque ainda me choco com isso.
Trocando em miúdos a proposta rejeitada, imagine que você solicita a imigração, o país te aceita, mas te priva de um direito fundamental: o direito ao trabalho. Vá, mas desde que você nunca possa se prover. Realização profissional? Ha! "Seja para sempre um cidadão - desde que de segunda classe" – é esta a mensagem que mais de 40% da população suíça mandou a seus imigrantes regulares. (Especulo que destino que mereceriam os imigrantes ilegais na "sociedade ideal" desses 40,4%...)
Convém sublinhar que a mais substancial parcela dos que votaram favoravelmente ao acordo não estão defendendo exatamente o direito ao trabalho dos imigrantes legais: estão antes garantindo o seu direito de trabalhar no âmbito de toda a União Européia. (Evidentemente, não há qualquer registro de campanhas que preguem contra essa coisa nefanda que é um suíço trabalhar em Paris ou outros países-membros da Uniâo Européia – só contra imigrantes que sugam a gloriosa pátria da Suíça.)
O segundo fato que me pasma é que o episódio não ocorreu numa vila remota, mas num subúrbio conurbado de Zurique, o coração econômico da Suíça e que figura em listas como a cidade mais rica da Europa e uma das cidades de melhor qualidade de vida do mundo – uma estatística que, imagino, só seja real para os cidadãos suíços natos e caucasianos. Os demais têm a qualidade de vida substancialmente reduzida por demonstrações diuturnas de preconceito aberto ou subreptício, ódio racial, nacionalismo algo doentio.
Uma coisa que certamente não me surpreende é a condução parcial do investigador suíço responsável pela ocorrência, que condenou Paula, uma menina que eu conheço, antecipadamente. Desde o início, e sem qualquer base, o investigador expressou que duvidava de sua versão: ela é imigrante, logo, sua história vale menos do que a de um suíço. O caso é que insinuar que houve auto-mutilação e aborto induzido é algo que agride a inteligência de qualquer um. Essa tese, sim, me espanta.
As lesões de Paula são bastante reveladoras para qualquer pessoa que tem um contato iniciático com medicina legal: dada a regularidade do modo com que foram feitas em ambos os lados do corpo, não podem ter sido feitas pela própria pessoa se esta for destra ou canhota. Somente se a vítima fosse uma ambidestra perfeita, ou seja, capaz de desempenhar as mesmas tarefas com ambas as mãos com o mesmo grau de destreza e igual força isso seria concebível. Mas tais casos são raríssimos.
As lesões têm aparência bastante regular em desenho e força aplicada, de modo que é factível imaginar que tenham sido realizadas por uma só e mesma pessoa, colocada à frente dela, a pouca distância e sempre com a mesma mão direita. O fato de uma sigla claramente distinguível alusiva a um partido político ("letras esparsas" na versão da polícia suíça) ter sido gravada em ambas as pernas de cabeça para baixo em relação ao olhar da vitima e com perfeita regularidade de contorno em ambos os lados e em tudo iguais aos verificados na lesão da barriga torna absolutamente infactível que os ferimentos fossem auto-inflingidos. Aliás, ferimentos auto-inflingidos normalmente são desfechados em pouca superfície corporal, de modo que sejam facilmente ocultos, e o são, em regra, no braço oposto àquele que o auto-mutilador tem como dominante. As lesões de Paula são o exato oposto disso. E qualquer policial graduado ontem tem conhecimento disso.
Pessoalmente, expresso preocupação aumentada pelo fato de que Paula sofre de lúpus, uma doença do sistema imunológico que a coloca particularmente em risco em razão das inúmeras lesões sofridas – ademais do sofrimento psíquico pela perda dos gêmeos que esperava. Sobreviver ao choque sem carregar muitas sequelas é uma grande tarefa a ser empreendida por uma pessoa que tinha por hábito surpreender positivamente.
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O que me espanta realmente é o relato de um suíço repassado por Emília Thompson, que, comentando em um site de jornal local, expressou gratidão pelo simples fato de não terem apagado seu comentário crítico à condução do caso, o que havia ocorrido em todos os outros jornais. O que revela uma dificuldade coletiva e profunda de reconhecer, que, sim, crimes abomináveis oriundos de preconceito ocorrem na Suíça. Todos os dias.
Como bem colocou Emília, esposa e mãe de suíços, "eles não querem ver esse tipo de realidade – querem crer que isso só acontece no país dos outros. Que o fato de 'não gostar de imigrantes' não significa, assim, que sejam exatamente uns preconceituosos nazistas... Isso só ocorre em outros países, na Alemanha...."
E que ninguém se impressione com a afirmação última: nenhum jornal local vai publicar esta história com o destaque que dedicaria ao mesmo fato, se ocorrido contra uma cidadã suíça.
lançado por D. às 07:30 Jornalísticas | 46 cantando e rodando

12-02-09
Os corvos verdadeiros

Reproduzo abaixo o trecho de um e-mail que circula sobre o caso da advogada brasileira atacada na Suíça. A autora da mensagem¹ é a Emilia Thompson, que morou lá por muito tempo:
Mesmo sem ter sido esfaqueada literalmente. O que eles fazem com a gente, é mais ou menos isso...uns com facas, outros - porque não são nazistas, né mesmo? – com palavras, gestos, olhares... é só ver um pouco do oculto do óbvio.Mas, é claro, isso não é para todos....
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¹ Por engano, eu havia publicado no original uma mensagem que não era exatamente a dela. O erro já foi corrigido. Sou uma besta e, o que é pior, uma besta atarefada. Mal aí.
lançado por david às 15:41 Jornalísticas | 6 cantando e rodando

31-12-08
A água não lava tudo
A poucos dias do desfecho deste ano tumultuado, às vésperas de um outro que se anuncia sombrio, topei com "Trouble the Water", um documentário irretocável. Já tinha lido sobre, sabia do sucesso no Sundance Festival, e, mesmo assim, não estava prevendo a dimensão do negócio. "Trouble the Water" conta a história de um casal de moradores de Nova Orleans, antes e depois do Katrina. A personagem principal, uma rapper na luta, filmou a inundação da sua vizinhança e os esforços para sobreviver em meio ao inferno de uma cidade abandonada, sob o jugo de gente incompetente. O material registrado por ela "estrurura" o filme, mas não conta a história toda – há muito mais: a tentativa de retomar a vida, o desejo de apagar o passado, a dor e alguma alegria.
Sem exagero algum, na boa: não é só um dos melhores documentários que assisti; é uma das melhores coisas que já vi filmadas.
---
A Guerra do Iraque, apesar do tamanho e do estrondo, vai acabar na história nos capítulos de Guerra Imperial. O que vai pairar à vera sobre a imagem de Bush vai ser o fracasso do Katrina: cidadãos americanos nas ruas por dias, implorando por ajuda, sem resposta.
lançado por david às 16:21 Jornalísticas | 0 cantando e rodando

01-12-08
Segue teu rumo, Charlinho
Na boa, isso é coisa de gênio:
lançado por david às 13:37 Jornalísticas | 0 cantando e rodando

12-11-08
Ele é inocente
Cartunismo é profissão-perigo. Seja por querer, quando Maomé aparece com uma bomba na cabeça. Seja sem querer, quando Obama fica os cornos do OJ Simpson.

lançado por david às 12:38 Jornalísticas | 0 cantando e rodando

16-07-08
Toma um quentão, sobe no pau-de-sebo
Tem release que não é só boletim, não é marketing: é arte.
"Em suma, trata-se de um evento que entrará para o calendário paulistano." Sem mais.Acontece no dia 24 de julho o evento que marca o diferencial da tradicional festa junina. Para tal feito a Exxclusive Productions, o programa Prive 89 FM e a DKT Prudence se uniram para conceber a primeira Festa Caipira Erótica do país. O Arraiá do Prazer será realizado na Secrett a partir das 21 horas, localizada na rua: Nova Cidade, 181 – Vila Olímpia – São Paulo.
Atores e atrizes pornôs estarão presentes para abrilhantar esta folia típica que tem como objetivo elevar a libido dos presentes, tendo como foco levar erotismo e sensualidade a esta festividade trazida pelos
portugueses na época colonial e acabou caindo no gosto dos brasileiros, por isso unimos o útil ao agradável no dia 24, já que o prazer é o forte das empresas supracitadas.Contamos com barracas temáticas, brincadeiras sensuais, comidas típicas, shows, blits promocionais, distribuição de brindes e a presença de show ao vivo.
O evento conta com personalidades da tv, cinema e teatro tais como:
A galera do Hermes & Renato, Angélica Castro, a ex-mercenária do funk Dani Lopes, o ex-BBB Rogério Dragone, Marcelo Mathias ex-Casa dos Artistas, o ator Fábio de Castro, Marcia Imperator, entre outros.
Presença de personalidades pornô Pamela Butt, Bella, Anita Ferrari, Mônica Mattos – a vencedora do Oscar Pornô Mundial, Victor Gaúcho, Carlão Bazuca dentre outros.
Como é de praxe não faltará brincadeiras típicas de festa junina como: Barraca do beijo, pescaria, argola, soft strip e as barraquinhas de comidas típicas.
E o mais esperado; a quadrilha mais sensual de todo o país com ilustres convidados.
Em suma, trata-se de um evento que entrará para o calendário paulistano.
Por gentileza, caso desejam em cobrir o evento, favor responder e-mail com a quantidade de credenciais de imprensa necessárias.
Abraços
lançado por david às 14:23 Jornalísticas | 0 cantando e rodando

Regras não-escritas (até agora)
1- Quando bandidos agem, estão sempre "fortemente armados";
2- Quando uma festa está em curso, ela "não tem hora para acabar";
3- Quando participa, "curioso" vira "popular";
4- Quando não se há nada a dizer sobre um assunto, diz-se que ele é "polêmico".
lançado por david às 08:50 Jornalísticas | 1 cantando e rodando

18-06-08
Questão de Justiça
Em tempo de fertilizante caro, a produção não pára de crescer.
lançado por david às 09:04 Jornalísticas | 0 cantando e rodando

14-06-08
Incidente no Buraco Quente
No dia 12 de junho, uma quinta-feira, um blindado da polícia conhecido como "caveirão" perdeu o freio numa operação na Mangueira. Pelo menos quatro pessoas ficaram feridas - e os jornais populares do Rio noticiaram assim no dia seguinte:



Não tem preço.
(Valeu pelos scans, Yuri.)
lançado por david às 17:01 Jornalísticas | 1 cantando e rodando

29-05-08
'Aldeia global', 'internauta' e outros chavões
O vídeo abaixo está no mesmo campo semântico do A Postos. Como Gugelmin Fittipaldi, "recomeeeeeindo". É internet de raiz. 1997, baby.
---
Update: É fake?
lançado por david às 18:46 Jornalísticas | 2 cantando e rodando

26-05-08
Saudades do Rio

Dois detalhes aqui:
1- Essa deve ser a realização de qualquer publicitário;
2- O Skol era os cornos do David Blaine, aquele mágico. Gêmeo.
lançado por david às 00:27 Jornalísticas | 3 cantando e rodando

25-04-08
Dura lex, intime por Sedex
No Brasil, o sujeito é inocente até opróbrio contrário*.
---
* Não há caso registrado de opróbrio favorável. Mas, em nome do trocadalho, vamolá.
lançado por david às 11:44 Jornalísticas | 1 cantando e rodando

19-04-08
Uma mensagem cifrada, com rumo certo
Existe uma peça de sabedoria universal que explica a "licença para rosetar" dos blogueiros*: Se o seu vizinho é o Pinochet, você está moralmente autorizado a cagar no jardim do prédio. É nessa rationale que se apóia a bandalha da venda de posts - prática disseminada, Lasciate ogne speranza, voi ch'intrate. Mecânica simples, se o esperto pinta bem feio o demônio da grande mídia ("estão todos vendidos ou comprados", "é tudo manipulado"), acha que pode até "se alugar" um pouco que não, ninguém vai notar.
Mas a gente nota, ah se nota.
---
* Aliás, ainda há de surgir uma desocupação de nome mais feio.
lançado por david às 01:55 Apostas Jornalísticas | 0 cantando e rodando

01-04-08
Mojiquismo ou corte
Por nada, por nada, "O Estranho Mundo de Zé do Caixão" já vale pelo Pereio defendendo o status de "maravilha" do Borba Gato, este orgulho paulistano. Chega de propaganda vaticana, chega de Cristo Redentor, de bairrismo bocó. Vamos recontar essa porcaria: Borba Gato é nosso totem e Pereio é seu profeta.
Parte 2, um pouco mais:
Bônus: discurso do Mojica na première.
lançado por david às 00:57 Jornalísticas | 1 cantando e rodando

24-03-08
No país dos bedéis biônicos
A BBC colocou nestes dias uma obra prima no ar: a "cobertura" de uma eleição para representante de turma na região central da China. O documentário de 2007, parte da série Inside China, é revelador como uma batelada de artigos sobre a Terra do Bilhão nem chegou perto.
A situação é simples. Pela primeira vez, um grupo de crianças de 8 anos da cidade de Wuhan vota para escolher o monitor da classe, uma espécie de bedel mirim. Três candidatos se apresentam:
Luo Lei, filho de policiais, já é o monitor-biônico. Disciplina os colegas na base do cacete há coisa de dois anos.
Cheng Cheng, um gordinho com cara de Mao bagunceiro, filho de uma produtora de TV endinheirada, vê no cargo um degrau para ser presidente do país.
Xu Xiaofei, filha de uma professora, é uma garota prodígio - toca flauta, tem desempenho excelente e é querida pelos colegas, mas não sabe se impor.
Seria um idílio, algo bonitinho, um "exercício de democracia", como propõe a professora. Seria. Do começo ao fim, a campanha é suja, suja como permite a conjunção maldade infantil/ambição paterna:
Cheng Cheng negocia cargos em troca de apoio e orquestra vaias aos adversários. Luo Lei tenta comprar votos com agrados para apagar a fama de mau. Xu Xiaofei tenta uma saída à Hillary para convencer os eleitores que chorar é sinal de sinceridade. Os pais estão sempre por trás, arquitetando. Documentário de gênio.
Jornalismo simples e barato do tipo que se poderia fazer na esquina, mas não se faz.
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O Please Vote for Me está todo no YouTube. Como tem PBS e BBC no meio, repasso os links sem pudor, por partes: 1, 2, 3, 4 e 5.
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Não fui só eu que fiquei impressionado. Há um bom guia aqui.
lançado por david às 03:37 Jornalísticas O capitalismo está em crise | 2 cantando e rodando

18-12-07
A volta da quadrupedagogia
Lembram da história do professor da ECO-UFRJ que criticou a aluna por omitir o sobrenome de Aristóteles na bibliografia (aquele toque do Flávio)?

Pois bem. O sujeito acaba de ter o contrato renovado. De acordo com o próprio, a direção da escola teceu loas aos o trabalho desenvolvido.
lançado por david às 07:11 Jornalísticas | 1 cantando e rodando

10-12-07
Afroebraicodescendente
Em 1904, João do Rio, aquele que dizia que "o jornalismo é o empalamento da alma", publicou na Gazeta de Notícias uma série de reportagens sobre as religiões no Rio de Janeiro. "Religiões do Rio", como ficou conhecida a reunião de textos, virou livro que, de tão apreciado, mas tão pouco editado, virou graal de sebo.
No ano passado, o "Religiões" ganhou uma reedição de primeira e, por meio dela, você pode se confrontar com pérolas como a passagem do repórter por uma sinagoga oriental no Centro.
Foi nesta sinagoga, indicada por um negro falacha, cuja origem vem dos tempos de Salomão e da rainha de Sabá, que eu assisti ao peisan [festa de Purim].Existiam judeus etíopes no Rio àquela altura? A hipótese é fascinante para nós, judeus tupinambás, solitários em nossa brancura.- Oh! Eles são bons e se protegem uns aos outros - dizia o negro assombroso. - A vida do judeu pobre é a do pouco comer, do pouco gozar, do muito sofrer. Agora, fizeram a Irmandade de Proteção Israelita.
(Tome a medida de nosso abandono: por nunca contar com um negro entre suas fileiras, minha turma converteu um descendente de marroquinos, de pele escura, em negro estatutário. Levei 657 dribles dele e (como rói a frustação de um zagueiro polonês!) nunca acertei a canela do sujeito.)
lançado por david às 00:33 Jornalísticas Judia de mim | 0 cantando e rodando

26-11-07
Educação pelo jogo e depois
Outro dia, um jornalista das antigas declarou em público ser parte da última ou, com boa vontade, penúltima geração de gente alfabetizada. Nosso orgulho de gente mais nova pode estrilar, mas o homem estava certo. A língua deles (seu mundo, seus sentidos, suas aspirações e becos-sem-saída) é etrusco para nós - algo que respeitamos e, ao mesmo tempo, não pescamos patavina.
Não foi a queda daquelas estátuas de Lenin, nem o esgarço da contracultura que abriu esse abismo entre nós. Foi o Mario.
lançado por david às 00:37 Jornalísticas | 0 cantando e rodando

11-07-07
Vá reclamar com o bispo
"Atentai bem" (royalties pro senador Mão Santa), editor pobre de espírito, para a tradução portuguesa do novo documento da Congregação para a Doutrina da Fé.
O que Cristo quer, também nós o queremos. O que era, manteve-se. O que a Igreja ensinou durante séculos, também nós o ensinamos. Só que o que antes era perceptível apenas a nível de vida, agora também se exprime claramente a nível de doutrina; o que até agora era objecto de reflexão, de debate e, em parte, até de controvérsia, agora tem uma formulação doutrinal segura.A nível de dogma, o "a nível" chegou ao poder.
---
Afterthought:
Quem diria que esse post ia render um brinde? Um subtítulo preciso, na pinta, coisa que este blog não tinha até agora: INTELIGÊNCIA VULGAR. Obrigado, amado mestre, obrigado.
lançado por david às 00:49 Jornalísticas | 12 cantando e rodando

27-06-07
Lésbicas jogadoras de futebol americano
O melhor momento das "jóias da coroa" da CIA: uma carta de 1972 do editor/repórter Parade, Lloyd Shearer, ao diretor-executivo da agência, General William Colby.

Shearer "pedia" a Colby uma posição sobre assassinatos políticos - se a CIA realizava ou não. Desandou nisso.

lançado por david às 22:58 Jornalísticas O couro come | 0 cantando e rodando

13-01-06
Bachelet, Bachelt, Bachetlet
De quantas formas se escreve la presidente?
lançado por david às 16:46 Jornalísticas | 0 cantando e rodando

09-01-06
Manchete nababesca
Gaúchos enfrentarão calor senegalesco neste fim de semana no RS
E aí, Dacar?
lançado por david às 13:35 Jornalísticas | 3 cantando e rodando

08-01-06
Manquitola, v05
Quem escorregou mais bonito?
lançado por david às 23:49 Jornalísticas | 0 cantando e rodando

25-11-05
Reacionários da informação, tremei

Quem vai parar a corrente? Quem vai chorar a morte de um passado comido pelas traças? Quem ousa?
lançado por david às 19:39 Jornalísticas | 0 cantando e rodando

04-08-05
Bola rola e cala

Resolveram "orientar, disciplinar e fiscalizar" a imprensa esportiva na Romênia. Katy Duke conta assim no Guardian:
Sports reporters in Romania have been ordered by the country's football association to look on the bright side of football games and stop reporting the bad behaviour of individual players.After a series of poor results, including a failure to qualify for the World Cup, the Romanian national side and its governing body, the FRF, received such heavy media criticism they have now released a so-called "moral guide" aimed at sports journalists, players, coaches and even players' parents.
Bom exemplo. Essa moda pega.
lançado por david às 15:04 Jornalísticas | 0 cantando e rodando

07-07-05
They did it

A excelente Judith Miller, do New York Times, foi para o xadrez por se recusar a revelar uma fonte. Porca miséria.
A liberdade de imprensa é rara em meio mundo. Os EUA não podem se dar ao luxo de, em casa, mandarem essa liberdade para o vinagre - nem que seja de leve.
Existem certas questões que os americanos não podem errar nunca. Pelo bem de todos.
If journalists cannot be trusted to keep confidences, then journalists cannot function and there cannot be a free press.(Judith Miller)
lançado por david às 03:09 Jornalísticas | 0 cantando e rodando

05-07-05
E viva Judith Miller
Guardem bem este rosto. Pode ser útil quando quiserem lembrar de um filho da puta.

É aquela. Quem pula do barco uma vez, pula sempre.
lançado por david às 01:08 Jornalísticas | 4 cantando e rodando

