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25-04-08

Dura lex, intime por Sedex

No Brasil, o sujeito é inocente até opróbrio contrário*.

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* Não há caso registrado de opróbrio favorável. Mas, em nome do trocadalho, vamolá.

lançado por david às 11:44 | 1 cantando e rodando

19-04-08

Uma mensagem cifrada, com rumo certo

Existe uma peça de sabedoria universal que explica a "licença para rosetar" dos blogueiros*: Se o seu vizinho é o Pinochet, você está moralmente autorizado a cagar no jardim do prédio. É nessa rationale que se apóia a bandalha da venda de posts - prática disseminada, Lasciate ogne speranza, voi ch'intrate. Mecânica simples, se o esperto pinta bem feio o demônio da grande mídia ("estão todos vendidos ou comprados", "é tudo manipulado"), acha que pode até "se alugar" um pouco que não, ninguém vai notar.

Mas a gente nota, ah se nota.

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* Aliás, ainda há de surgir uma desocupação de nome mais feio.

lançado por david às 01:55 | 0 cantando e rodando

01-04-08

Mojiquismo ou corte

Por nada, por nada, "O Estranho Mundo de Zé do Caixão" já vale pelo Pereio defendendo o status de "maravilha" do Borba Gato, este orgulho paulistano. Chega de propaganda vaticana, chega de Cristo Redentor, de bairrismo bocó. Vamos recontar essa porcaria: Borba Gato é nosso totem e Pereio é seu profeta.

O melhor do Brasil é o brasi... O melhor do Brasil é o coveiro

Parte 2, um pouco mais:

Emo, coisa do capeta

Bônus: discurso do Mojica na première.

Vocês todos morrerão e isso é bonito

lançado por david às 00:57 | 1 cantando e rodando

24-03-08

No país dos bedéis biônicos

Vejam, não hesitem, vejam

A BBC colocou nestes dias uma obra prima no ar: a "cobertura" de uma eleição para representante de turma na região central da China. O documentário de 2007, parte da série Inside China, é revelador como uma batelada de artigos sobre a Terra do Bilhão nem chegou perto.

A situação é simples. Pela primeira vez, um grupo de crianças de 8 anos da cidade de Wuhan vota para escolher o monitor da classe, uma espécie de bedel mirim. Três candidatos se apresentam:

Luo Lei, filho de policiais, já é o monitor-biônico. Disciplina os colegas na base do cacete há coisa de dois anos.

Cheng Cheng
, um gordinho com cara de Mao bagunceiro, filho de uma produtora de TV endinheirada, vê no cargo um degrau para ser presidente do país.

Xu Xiaofei
, filha de uma professora, é uma garota prodígio - toca flauta, tem desempenho excelente e é querida pelos colegas, mas não sabe se impor.

Seria um idílio, algo bonitinho, um "exercício de democracia", como propõe a professora. Seria. Do começo ao fim, a campanha é suja, suja como permite a conjunção maldade infantil/ambição paterna:

Cheng Cheng negocia cargos em troca de apoio e orquestra vaias aos adversários. Luo Lei tenta comprar votos com agrados para apagar a fama de mau. Xu Xiaofei tenta uma saída à Hillary para convencer os eleitores que chorar é sinal de sinceridade. Os pais estão sempre por trás, arquitetando. Documentário de gênio.

Jornalismo simples e barato do tipo que se poderia fazer na esquina, mas não se faz.

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O Please Vote for Me está todo no YouTube. Como tem PBS e BBC no meio, repasso os links sem pudor, por partes: 1, 2, 3, 4 e 5.

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Não fui só eu que fiquei impressionado. Há um bom guia aqui.

lançado por david às 03:37 | 2 cantando e rodando

18-12-07

A volta da quadrupedagogia

Lembram da história do professor da ECO-UFRJ que criticou a aluna por omitir o sobrenome de Aristóteles na bibliografia (aquele toque do Flávio)?

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Gyros pro povo

Pois bem. O sujeito acaba de ter o contrato renovado. De acordo com o próprio, a direção da escola teceu loas aos o trabalho desenvolvido.

lançado por david às 07:11 | 1 cantando e rodando

10-12-07

Afroebraicodescendente

Em 1904, João do Rio, aquele que dizia que "o jornalismo é o empalamento da alma", publicou na Gazeta de Notícias uma série de reportagens sobre as religiões no Rio de Janeiro. "Religiões do Rio", como ficou conhecida a reunião de textos, virou livro que, de tão apreciado, mas tão pouco editado, virou graal de sebo.

No ano passado, o "Religiões" ganhou uma reedição de primeira e, por meio dela, você pode se confrontar com pérolas como a passagem do repórter por uma sinagoga oriental no Centro.

Foi nesta sinagoga, indicada por um negro falacha, cuja origem vem dos tempos de Salomão e da rainha de Sabá, que eu assisti ao peisan [festa de Purim].

- Oh! Eles são bons e se protegem uns aos outros - dizia o negro assombroso. - A vida do judeu pobre é a do pouco comer, do pouco gozar, do muito sofrer. Agora, fizeram a Irmandade de Proteção Israelita.

Existiam judeus etíopes no Rio àquela altura? A hipótese é fascinante para nós, judeus tupinambás, solitários em nossa brancura.

(Tome a medida de nosso abandono: por nunca contar com um negro entre suas fileiras, minha turma converteu um descendente de marroquinos, de pele escura, em negro estatutário. Levei 657 dribles dele e (como rói a frustação de um zagueiro polonês!) nunca acertei a canela do sujeito.)

lançado por david às 00:33 | 0 cantando e rodando

26-11-07

Educação pelo jogo e depois

Outro dia, um jornalista das antigas declarou em público ser parte da última ou, com boa vontade, penúltima geração de gente alfabetizada. Nosso orgulho de gente mais nova pode estrilar, mas o homem estava certo. A língua deles (seu mundo, seus sentidos, suas aspirações e becos-sem-saída) é etrusco para nós - algo que respeitamos e, ao mesmo tempo, não pescamos patavina.

Não foi a queda daquelas estátuas de Lenin, nem o esgarço da contracultura que abriu esse abismo entre nós. Foi o Mario.

lançado por david às 00:37 | 0 cantando e rodando

11-07-07

Vá reclamar com o bispo

"Atentai bem" (royalties pro senador Mão Santa), editor pobre de espírito, para a tradução portuguesa do novo documento da Congregação para a Doutrina da Fé.

O que Cristo quer, também nós o queremos. O que era, manteve-se. O que a Igreja ensinou durante séculos, também nós o ensinamos. Só que o que antes era perceptível apenas a nível de vida, agora também se exprime claramente a nível de doutrina; o que até agora era objecto de reflexão, de debate e, em parte, até de controvérsia, agora tem uma formulação doutrinal segura.
A nível de dogma, o "a nível" chegou ao poder.
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Afterthought:

Quem diria que esse post ia render um brinde? Um subtítulo preciso, na pinta, coisa que este blog não tinha até agora: INTELIGÊNCIA VULGAR. Obrigado, amado mestre, obrigado.

lançado por david às 00:49 | 12 cantando e rodando

27-06-07

Lésbicas jogadoras de futebol americano

O melhor momento das "jóias da coroa" da CIA: uma carta de 1972 do editor/repórter Parade, Lloyd Shearer, ao diretor-executivo da agência, General William Colby.

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Provocação

Shearer "pedia" a Colby uma posição sobre assassinatos políticos - se a CIA realizava ou não. Desandou nisso.

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Adesivo contra Nixon, 1972

lançado por david às 22:58 | 0 cantando e rodando

13-01-06

Bachelet, Bachelt, Bachetlet

De quantas formas se escreve la presidente?

lançado por david às 16:46 | 0 cantando e rodando

09-01-06

Manchete nababesca

Gaúchos enfrentarão calor senegalesco neste fim de semana no RS

E aí, Dacar?

lançado por david às 13:35 | 3 cantando e rodando

08-01-06

Manquitola, v05

Quem escorregou mais bonito?

lançado por david às 23:49 | 0 cantando e rodando

25-11-05

Reacionários da informação, tremei

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= velocidade da corrente

Quem vai parar a corrente? Quem vai chorar a morte de um passado comido pelas traças? Quem ousa?

lançado por david às 19:39 | 0 cantando e rodando

04-08-05

Bola rola e cala

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EUA '94, Hagi e Cia. 3 x 2 Argentina

Resolveram "orientar, disciplinar e fiscalizar" a imprensa esportiva na Romênia. Katy Duke conta assim no Guardian:


Sports reporters in Romania have been ordered by the country's football association to look on the bright side of football games and stop reporting the bad behaviour of individual players.

After a series of poor results, including a failure to qualify for the World Cup, the Romanian national side and its governing body, the FRF, received such heavy media criticism they have now released a so-called "moral guide" aimed at sports journalists, players, coaches and even players' parents.


Bom exemplo. Essa moda pega.

lançado por david às 15:04 | 0 cantando e rodando

07-07-05

They did it

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Freedom is behind bars

A excelente Judith Miller, do New York Times, foi para o xadrez por se recusar a revelar uma fonte. Porca miséria.

A liberdade de imprensa é rara em meio mundo. Os EUA não podem se dar ao luxo de, em casa, mandarem essa liberdade para o vinagre - nem que seja de leve.

Existem certas questões que os americanos não podem errar nunca. Pelo bem de todos.


If journalists cannot be trusted to keep confidences, then journalists cannot function and there cannot be a free press.

(Judith Miller)

lançado por david às 03:09 | 0 cantando e rodando

05-07-05

E viva Judith Miller

Guardem bem este rosto. Pode ser útil quando quiserem lembrar de um filho da puta.

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Robert Novak: canalha em vermelho

É aquela. Quem pula do barco uma vez, pula sempre.

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