12-05-08
'Valfrido e Cebola, Colasso'
A seqüência lógica disto é abrir um QG nacional, e no Recife. É o portal que mais cresce no país. Só falta uma versão web da Luciana Gimenez.
lançado por david às 06:48 | 1 cantando e rodando
19-04-08
Uma mensagem cifrada, com rumo certo
Existe uma peça de sabedoria universal que explica a "licença para rosetar" dos blogueiros*: Se o seu vizinho é o Pinochet, você está moralmente autorizado a cagar no jardim do prédio. É nessa rationale que se apóia a bandalha da venda de posts - prática disseminada, Lasciate ogne speranza, voi ch'intrate. Mecânica simples, se o esperto pinta bem feio o demônio da grande mídia ("estão todos vendidos ou comprados", "é tudo manipulado"), acha que pode até "se alugar" um pouco que não, ninguém vai notar.
Mas a gente nota, ah se nota.
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* Aliás, ainda há de surgir uma desocupação de nome mais feio.
lançado por david às 01:55 | 0 cantando e rodando
06-03-08
Croquetismo
O Apostos é subproduto de chopp, calor senegalês e modorra carioca. É cria do Bar Luiz, "Bar Adolph" antes da Guerra, em um almoço tardio e sem ar condicionado. Em três anos de estrada, não acumulamos o suficiente para pagar a croquetaria daquele "dia um" - e olha que Bruno, Igor e Marcio não passam de amadores do garfo, comem pouco.
De lá pra cá, crescemos um pouco, nos nacionalizamos, mas seguimos naquela clássica "situação Silvio Luiz": na cabine, falando a meio mundo e reclamando dos croquetes que teimam em não chegar. Se há algum jabá in the making ou banqueiro que tope nos "monetizar" (afe, já imagino um Zé das Medalhas soterrado), não deixem de nos avisar. Além de uma bandeja de salgadinhos, precisamos comprar uma cueca nova para o Ruy.
lançado por david às 07:36 | 2 cantando e rodando
05-01-08
Não pára
O blog completa quatro anos esta noite.
lançado por david às 20:48 | 4 cantando e rodando
17-12-07
Craque a gente faz em casa
O Igor, nossa prata da casa, vai lançar um livro. Prévia aqui.
lançado por david às 12:51 | 0 cantando e rodando
08-01-07
Matem um carneiro

O blog completou 3 anos no dia 5. Opa.
lançado por david às 01:03 | 6 cantando e rodando
06-07-06
Marca humana

O vento levava mais que a fama de Clark Gable. Sobram provas testemunhais: dentro da boca de Rhett Butler, travava-se uma guerra civil bacteriológica. Mau hálito.
De Gable, não sobrou osso. Do bafo, restou a fama. Que o budum tenha sobrevivido em idéia muito depois de cessada a causa evidencia um fato: o mau hálito fede até sem cheiro.
Assim é por que trata-se de um mal eminentemente social. Tanto que um boato, sem base, mentiroso até a medula, pode ter o efeito de uma baforada de enxofre: o fulano, vítima do maldizer, passa por bafento e o chiclete que ele masca, a escova e o fio dental que ele carrega, tudo passa à condição de lenitivo - rito sumário.
Mas se houver realmente fedor na raiz, o affair ganha contorno trágico: o sujeito não consegue comunicar que padece sem comunicar seu mal, pelo ar. Que armadilha. Esqueçam os tratados médicos e as bulas de remédio, onde estão as peças, os romances, as crônicas do bafo?
lançado por david às 13:44 | 1 cantando e rodando
31-05-06
As cores do jogo

A seleção é um combinado - e um combinado, como aqueles times em que você jogava no recreio, não tem torcedores doentes. Os doentes são os dos clubes, torcedores que acham meio over aquele gritinho de "Brasil! Brasil! Brasil!". Como assim, "Brasil"!? Tão brando, tão programa de auditório: cadê o "puta que pariu" (veja só, nem aproveitam a rima)?
Com boa vontade, a seleção tem torcedores carnavalescos. De quatro em quatro anos, os doentes - flamenguistas e o resto - vestem fantasia, junto com gente que não liga muito pra futebol. Todos fantasiados de brasileiros, assistimos.
(E só é assim porque nenhum clube de autêntica expressão nacional veste hoje verde e amarelo. O Brasiliense, o XV de Jaú, o Ypiranga de Erexim, o Quixadá, o Ordem Progresso de Bom Jesus do Norte, o Ipanema de Santana do Ipanema e o Pavunense ainda não tiveram sua hora.)
Mas Copa é carnaval e, como tal, tem suas cinzas. Aquela hora em que caem os disfarces: em que os leigos retomam a vida sem o jogo e os doentes voltam a sofrer mesmo, de bola e trave. Pois sim, sofrer é a regra.
A alegria do doente campeão dura uma semana, um mês, se muito. Percamos um clássico e pronto, a úlcera dirá "alô". Lá estaremos nós trágicos a pichar a diretoria e xingar a zaga. "Time de merda", diremos daquele mesmo esquadrão do passado e daremos, assim e com gosto, uma banana à coerência. Só precisamos dela, afinal, para não recair na les'alma de virar a casaca. Nunca.
lançado por david às 03:09 | 8 cantando e rodando
28-04-06
Um ano de mó máfia

O Márcio Guilherme fez há algum tempo uma daquelas observações de raio-x.
Nós, brasileiros, tendemos a criminalizar o que não conhecemos. A evidência está no uso da expressão máfia para designar qualquer grupo de pessoas que não conhecemos fazendo algo que não conseguimos decifrar.
A ver. Se você fizer uma ronda por botecos no centro da sua cidade, pode descobrir, de conversa fiada em conversa fiada, que não apenas os donos dos bancos formam sua mó máfia exclusiva, também os velhos nas filas dos bancos, os seguranças nas portas dos bancos, os faxineiros nas latrinas dos bancos, os gerentes nas mesas dos bancos: mó máfia, mó máfia, mó máfia, mó máfia. E bancos são apenas um exemplo. Contadores, despachantes, vendedores de amendoim, bingueiros e taxistas de aeroporto, ninguém tem salvo conduto no jogo de aponta.
Mas, afinal, o que explica esse tique? Licença para um palpite mais que desautorizado: a necessidade de dar uma etiqueta familiar à zorra do mundo e mais um pouco, o desejo de intimidade. Quem desenreda a "trama" crê fazer um favor a quem ouve, iniciando-o no clube dos que "enxergam". Por conta desse "serviço", cobra status de amigo. Não tem caso pensado, não, tudo se resolve em um sorriso, uma piscadela ou um sussurro. Quando próximos, somos cordiais.
A propósito, amigo que alcançou este pé de texto se aprochegue pr'um conselho:
Cuidado com a turma do A Postos. Mó máfia.
lançado por david às 13:17 | 3 cantando e rodando
Um ano apostando
Um ano a postos. Parabéns.
lançado por david às 13:15 | 0 cantando e rodando
10-04-06
Magical Mystery Tour

Apostos goes english.
lançado por david às 13:09 | 1 cantando e rodando
31-03-06
A paixão segundo o RH
Digam o que quiser, mas Fernando Pessoa nunca teve inteligência emocional.
Pessoa e suas personas não aplicavam emoções, amém. Tivessem aplicado, estaríamos todos quebrados, banidos da bolsa do lirismo - o poeta, as personas e os leitores.
Provem da distopia com rúcula e tomate seco: Fernando, Alberto, Álvaro e Ricardo confinados num resort, inscritos em um congresso sem fim, bebendo chá gelado nos brunches e falando de motivação nas palestras. O resto assistindo pela tela, treinando para a próxima dinâmica de grupo.
Basta de mala vida, nada de pesadelo. Digam o que quiser, mas Fernando Pessoa nunca terá inteligência emocional.
lançado por david às 01:51 | 6 cantando e rodando
22-02-06
O homem da máscara que berra

Quem se candidata a pular carnaval assim no verdadeiro baile do Monte Líbano, bem no buraco quente do Hezbolá?
lançado por david às 14:55 | 0 cantando e rodando
17-01-06
Liberdade para repetir
De um dia pr'outro, repetir virou gesto de desafio, um contra-ânimo. A sabedoria convencional recomenda disposição para mudar a cabeça e o resto. Quem resiste a ser ajudado e insiste em fazer mais do mesmo investe contra a maré - e está inexoravelmente à margem, a meio caminho para a vanguarda. Pois sim, há algo de libertador na teimosia.
E, afinal, cultivar conscientemente o original, "o" original, deixou de ser original há muito tempo.
lançado por david às 03:00 | 0 cantando e rodando
07-01-06
Bis
Sharon não deixou lembrar. O site completou dois anos na quinta-feira. Obrigado a todos.
lançado por david às 13:18 | 2 cantando e rodando
19-12-05
Loucura para fechar o ano

Here's the deal: os cinco primeiros que responderem à pergunta levam a camisa. Os ganhadores pagam só o custo de postagem.
Qual é o nome do mordomo do Porco Capitalista?
Respostas: altovolta@apostos.com
Corram: A bondade gasta.
lançado por david às 18:32 | 1 cantando e rodando
08-12-05
Golpe do baú
Quando te disserem "eles só querem dinheiro", não pense duas vezes: acredite.
lançado por david às 01:58 | 0 cantando e rodando
05-12-05
Preguiça da Filosofia

- Heráclito, quando você vai buscar lenha pra fogueira?
- Logos, logos.
lançado por david às 13:04 | 3 cantando e rodando
26-10-05
As soon as possible

Certos filmes redimem por gerações. De Olhos Bem Fechados (1999) redimiu Nicole Kidman e Tom Cruise preventivamente. Por eras em diante, os dois estão acima de qualquer mancha, de qualquer passo em falso. Como Alice e Bill, Kidman e Cruise ganharam o salvo-conduto. Podem se lambuzar em orgias dinamarquesas ou rezar pela cartilha de seitas picaretíssimas, pouco interessa: caminham no Olimpo de cabeça erguida, juntos ou separados.
É Kubrick na fita. Que rumine quem não entende. Que cavalgue quem não consiga.
ALICE: And, you know, there is something very important we have to do as soon as possible.BILL: What's that?
ALICE: Fuck.
Como disse um amigo, um filme que termina assim tem lá seus méritos.
lançado por david às 12:51 | 5 cantando e rodando
19-09-05
De ganho em ganho

Os negros chamados de ganho serviram para tudo no Brasil: vender azeite-de-carrapato, bolo, cuscuz, manga, banana, carregar fardos, trazer água dos chafarizes às casas dos pobres - trazendo de tarde os proventos para o senhor.(Gilberto Freyre, Casa Grande e Senzala, Record, 1995)
Cena 2:
Grande parte da riqueza ainda patriarcal e já burguesa do Rio de Janeiro como de Salvador, de Recife ou de São Luiz do Maranhão, estava, até a predominância do transporte por animal sobre o transporte por negro, nesses escravos de ganho, alugados pelos seus senhores como se fossem cavalos de carro ou bestas de transporte.(Gilberto Freyre, Sobrados e Mucambos, Global Editora, 2004)
Leu? No meio tempo, um fantasma cruzou a esquina. Carregava lata ou papelão?
lançado por david às 14:59 | 0 cantando e rodando
08-08-05
Mais papagaios, menos papagaiada

A beata comprou uma papagaia às cegas, de segunda mão. A velha não sabia, mas logo descobriu. A criatura só falava palavrão. Tinha crescido num poleiro na zona. Alarmada e horrorizada com a bichinha, a beata procurou o padre para reformar a ave perdida.– Calma, filha. Traga a papagaia para passar uns dias por aqui. Meus dois papagaios serão boa companhia para ela. Os dois rezam o tempo todo e, pelo exemplo, vão fazê-la mudar de modos.
A beata topou e não demorou a levar a gaiola para a Igreja. Na melhor da intenções, o padre conduziu a "hóspede" para a sacristia e saiu. Na mesma sala, dois papagaios rezavam compenetrados no poleiro.
A papagaia reconheceu o terreno. Olhou para um lado. Olhou para o outro. E gritou:
– Vai começar a putaria!
Um dos papagaios abriu os olhos e, de súbito, bateu a asa no ombro do colega de poleiro. E falou:
– Pode parar de rezar! Nossas preces foram atendidas!
Piadas assim, de domínio público, intuem um fato da natureza: papagaios e similares têm um radar biológico de moralismo. Basta treinar aquele cérebro tamanho de noz para acioná-lo. Feito o serviço, é bicho certo. Beatas, padrecos, crentes, ortodoxos, tanto vale. Louro com diabo no corpo não perdoa ninguém.
Já ouviu uma história assim?
Beata: Papagaio real vai pra Portugal!
Papagaio: Vai tomar...!
E assim?
Barry, uma arara da terra de Churchill, xingou o vigário e o prefeito de Nuneaton. De quebra, esculhambou a polícia. Agora, passa por uma fase de reeducação ouvindo Radio 4, da BBC.
É uma prioridade nacional. A vida brasileira precisa de mais papagaios dessa estirpe, papagaios capazes de disparar um palavrão - coisa feia e autêntica - para cada mostra de hipocrisia. Fácil imaginar onde e quando cairiam bem.
Quando se falasse em "reforma política", um louro soltaria um "vai começar a sacanagem". Para "financiamento público de campanha", outro louro diria "caixa dois". "Refundação da República"? Mais de um louro berraria "quero o meu".
Mais papagaios, menos papagaiada.
lançado por david às 03:31 | 4 cantando e rodando
