« A maçã, sempre ela | Principal | Quem mandou olhar pra luz? »

05-04-08

O advogado do Diabo

america.jpg
Sangue chamuscado

O América caiu. E eu só consigo lembrar do meu avô.

Meu avô Neco era de um americanismo existencial: era América na teimosia, era mais América quando perdia, era América como atitude de ser. Nas piadas dele com o Flamengo, time que ele autenticamente detestava, havia o desejo meio moleque de irritar a nós, filho e netos rubro-negros, mas acima de tudo um conselho: se acostume, um dia a casa cai, tente ao menos rir disso. Meu avô, apesar do pesar, não era masoquista - só sabia que a esperança, para ser pura, tem que se mirar numa redenção rara, nada assegurada, dificílima de atingir.

Reza a lenda que o Neco guardava um compacto da final América 2 x 1 Fluminense, de 18 de dezembro de 1960, let the good times roll, fazia questão de não esquecer. Nesta teimosia de lembrar, havia um anseio de restauração. A minha memória é a dele num dos últimos aniversários, à beira da piscina, com a camisa do time, não muito antes de sair deste torneio de tabela torta e resultado certo, o da vida. Meu avô, caçula, enfant terrible em um colégio de padres, nosso amigo ranheta, não existe mais. Seu mundo, o que restou dele, se esfacela diante de nós. A piscina virou prédio. O América virou timinho. Saudade.

lançado por david às 19:14, arquivado em Baixa gastronomia

Comentários

Nem tudo está perdido.
O clássico do futuro a meu ver se tornará muito inglês, pois o Bangu usa a camisa do Southampton, tradição oriunda dos primeiros ingleses na fábrica de linho, e o América poderá ser comparado ao Liverpool.
E meu pai lá estará, provavelmente criando caso.
Até o segundo semestre de 2009!

lançado por: claudio às 22:47 , 05-04-08


Jung falaria em sincronicidade. Quer dizer, Jung não diria picas, a gente sabe. Mas a desdita do finado clube tijucano também me deixou, de certa forma e por breve tempo, macambúzio. E olha que nem tenho essa ligação familiar direta. Um avô era Santa Cruz, o outro, Náutico. Mas é triste saber que não ouviremos mais nas arquibancadas aquele brado que, de tão psicopata, soava pueril: "Sangue!!!"

lançado por: L. às 00:01 , 06-04-08

O que dá pena é que aquele trabalho bacana do Jorginho parece ter se perdido quando ele foi pra seleção. Mas eu acho que o América tem chance de sair dessa, justamente por causa da simpatia que ele desperta, pelo espaço de mídia que isso garante, e pelo interesse que isso gera em patrocinadores potenciais.

Vale lembrar (se é que não estou falando errado, se estiver, não vale, não): o América foi terceiro no brasileiro antes da criação do Clube dos 13, foi daí em diante que o time se afundou.

A propósito, bacana o post e espetacular a imagem, parabéns.

lançado por: Na Prática a Teoria é Outra às 18:41 , 08-04-08

O América até disputou o Brasileirão de 88, na primeira, mas foi um fracasso total. E, sim, você está certo: o América foi terceiro em 86, perdeu para o São Paulo na semi. Olha a ficha do jogo de volta:

AMÉRICA-RJ 1x1 SÃO PAULO
Local: Maracanã (Rio de Janeiro-RJ); Público: 50.502;
Árbitro: Carlos Sérgio Rosa Martins (RS); Gols: Careca (SP) 41' do 1º;
Renato (AME) 27' do 2º; Cartões Amarelos: Serginho (AME),
Rômulo e Vizolli (SP); Expulsão: Polaco (AME) 43' do 2º.

lançado por: david às 11:52 , 09-04-08

Fala!




Come cookie?

(HTML tá liberado)




     
site antigo + site novo: