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10-04-08

Canibália

PUTARIA.jpg
Sobe aqui

Até o oba-oba deve ter algo de coerência. Taí o problema do relativismo: fica num meia-bunda conceitual.

Enquanto os brancos discutem o infanticídio indígena, uma prática em desuso, trato de um métier sempre em expansão: a putaria sancionada como crença.

Se o relativismo for à vera, deve valer para as subculturas também. Não pode tratar só de ianômami, somali ou judeu. O alemão que come gente, o brasileiro que adota o satanismo e emascula meninos, o americano que, por credo, se interna num rancho pra viver num “Éden” de pedofilia e incesto – se perguntados, todos dirão que aderiram, por ato de consciência, a um novo “corpus” social, apartado do qual formal e só formalmente estão ligados. Em outros termos, um alemão canibal não é um alemão “de fábrica”, é outro sujeito, de outra tribo.

Exagero? Nada. Para se atualizar e se redimir de seu antropologismo mofado, a tese relativista precisa de um choque de realidade: as identidades são fluidas e as relações de pertença, maleáveis. Alemão é circunstância. Alemão canibal é construção, um “salto” de cultura. O resto é determinismo ou, pior, submissão à ditadura de peritos que, do alto da cátedra, separarão o relativo do não-relativo.

Sem meia-bunda, é até aí que vai o relativismo. Topam embarcar?

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Afora os excessos, não, não há uma cultura "melhor" do que outra. A visão do pessimista informado é que todas têm zonas de sombra. Tropece e vire a esquina errada para ver como somos "melhores".

lançado por david às 19:48

Comentários

De acordo. Só que, igualmente, não embarco nessa fluidez pós-pós-pós-tudo.

lançado por: João Barreto às 14:56 , 11-04-08

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