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25-03-08

Por um futebolismo 'de esquerda'

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Cadê a pátria?

O combinado que veste a camisa do Brasil vai jogar mais uma em Londres. Longe do Piauí, longe do Acre, longe da Gávea, longe das hostes condenadas por maldição do desamor e da geografia a babar ovos alheios, dos chelseas e liverpools* da vida.

O futebol é global, sua arena também, reza a sabedoria convencional. Bom para chineses, malaios e tailandeses que, de bola, entendem quase nada (ainda); balela para quem vibra por um jogo que conhece. A torcida só se alimenta pelo contato, bem sabem os “exilados” de seus times – visite a rodoviária num dia de jogo-chave do Flamengo ou do Corinthians para tirar a prova. Sem contato, sem a possibilidade de xingar a mãe de um chupa-sangue e, sim, ser ouvido, o laço se esgarça. E não há driblinho de agrado, um semestre sim, outro não, que dê jeito.

Um sintoma: quando se fala impunemente em “jogo de família” para descrever uma partida do nosso combinado, seja qual for o encontro, a nossa vaca tupinambá já se encontra a meia picanha do mangue. Seleção à vera é Brasil x Argentina, final do Sul-Americano de 1946: Batagliero em desfile no Monumental de Nuñez de cadeira de rodas para mostrar o estrago feito por uma entrada passada de Ademir "Queixada" Menezes; Jairda Rosa Pinto em atentado à perna de Salomon; Zezé Procópio com uma navalha sacada do meião; Chico em estado de choque após levar uma banda de um soldado e o Brasil na luta; derrota assim é detalhe. Isso só é “família” no sentido rodrigueano, disfuncional do termo.

Se nosso orgulho pela “seleção” estivesse intacto, nem falaríamos neste Bonsucesso nórdico que é a Suécia; tramaríamos como pegar a França** na curva em 2010. "A África do Sul é logo ali."

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* O que o Chelsea já ganhou? E por que cargas d’água o Liverpool não triturou o Flamengo em 81 e o São Paulo em 05?

** E o México? Saiba você que, de de uma década para cá, o Brasil virou freguês do México.

lançado por david às 00:00, arquivado em Baixa gastronomia

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