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24-03-08

No país dos bedéis biônicos

Vejam, não hesitem, vejam

A BBC colocou nestes dias uma obra prima no ar: a "cobertura" de uma eleição para representante de turma na região central da China. O documentário de 2007, parte da série Inside China, é revelador como uma batelada de artigos sobre a Terra do Bilhão nem chegou perto.

A situação é simples. Pela primeira vez, um grupo de crianças de 8 anos da cidade de Wuhan vota para escolher o monitor da classe, uma espécie de bedel mirim. Três candidatos se apresentam:

Luo Lei, filho de policiais, já é o monitor-biônico. Disciplina os colegas na base do cacete há coisa de dois anos.

Cheng Cheng
, um gordinho com cara de Mao bagunceiro, filho de uma produtora de TV endinheirada, vê no cargo um degrau para ser presidente do país.

Xu Xiaofei
, filha de uma professora, é uma garota prodígio - toca flauta, tem desempenho excelente e é querida pelos colegas, mas não sabe se impor.

Seria um idílio, algo bonitinho, um "exercício de democracia", como propõe a professora. Seria. Do começo ao fim, a campanha é suja, suja como permite a conjunção maldade infantil/ambição paterna:

Cheng Cheng negocia cargos em troca de apoio e orquestra vaias aos adversários. Luo Lei tenta comprar votos com agrados para apagar a fama de mau. Xu Xiaofei tenta uma saída à Hillary para convencer os eleitores que chorar é sinal de sinceridade. Os pais estão sempre por trás, arquitetando. Documentário de gênio.

Jornalismo simples e barato do tipo que se poderia fazer na esquina, mas não se faz.

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O Please Vote for Me está todo no YouTube. Como tem PBS e BBC no meio, repasso os links sem pudor, por partes: 1, 2, 3, 4 e 5.

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Não fui só eu que fiquei impressionado. Há um bom guia aqui.

lançado por david às 03:37, arquivado em Jornalísticas O capitalismo está em crise

Comentários


Taí, meu caro sábio das teclas, por alguma dessas improváveis sincronicidades junguianas eu também fui laçado domingo à noite pelos chinorongas-mirins. Só duas palavrinhas para descrever a coisa: Do caralho. Sem off babaca, sem editismo nervoso , só jornalismo, como ele pode ser. Quer dizer, pode ser desde que não tenhamos as amarras da famiglia por trás, acho eu. A vida é dura. E o tempo passa.

lançado por: Pimentel às 13:21 , 25-03-08

Eles conseguiram fazer um documentário com zero off e apreensível - não é fácil.

lançado por: david às 00:20 , 26-03-08

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