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10-12-07

Afroebraicodescendente

Em 1904, João do Rio, aquele que dizia que "o jornalismo é o empalamento da alma", publicou na Gazeta de Notícias uma série de reportagens sobre as religiões no Rio de Janeiro. "Religiões do Rio", como ficou conhecida a reunião de textos, virou livro que, de tão apreciado, mas tão pouco editado, virou graal de sebo.

No ano passado, o "Religiões" ganhou uma reedição de primeira e, por meio dela, você pode se confrontar com pérolas como a passagem do repórter por uma sinagoga oriental no Centro.

Foi nesta sinagoga, indicada por um negro falacha, cuja origem vem dos tempos de Salomão e da rainha de Sabá, que eu assisti ao peisan [festa de Purim].

- Oh! Eles são bons e se protegem uns aos outros - dizia o negro assombroso. - A vida do judeu pobre é a do pouco comer, do pouco gozar, do muito sofrer. Agora, fizeram a Irmandade de Proteção Israelita.

Existiam judeus etíopes no Rio àquela altura? A hipótese é fascinante para nós, judeus tupinambás, solitários em nossa brancura.

(Tome a medida de nosso abandono: por nunca contar com um negro entre suas fileiras, minha turma converteu um descendente de marroquinos, de pele escura, em negro estatutário. Levei 657 dribles dele e (como rói a frustação de um zagueiro polonês!) nunca acertei a canela do sujeito.)

lançado por david às 00:33, arquivado em Jornalísticas Judia de mim

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