30-11-07
Urso do Sinai

O ursinho Moisés tem um braço maior que o outro. É feio e ainda não passou do projeto, mas tem um trunfo: o nome do escrivão dos escrivões.
Por conta da fofura profana, os rabinos vão amarrar meu nome na boca do arenque. Se eu não ceder, vão manobrar para que eu agonize sem um bagel de verdade. Ain't no Hava Naguila for you, brother.
Enquanto isso, no Sudão...
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29-11-07
Aqueles que acham que é pouco
"Tropa de Elite" não vale, é hors concours. O abismo do Corinthians é a questão cultural do ano.
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27-11-07
A ficha que nunca vai cair
A lógica desaba. As catedrais derretem. E a realidade não basta para dar conta disto: o impossível em que, agora, firmamos os pés.
Meninos, eu vi.
Pra que negar? O Flamengo consagrou a metafísica.
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26-11-07
Educação pelo jogo e depois
Outro dia, um jornalista das antigas declarou em público ser parte da última ou, com boa vontade, penúltima geração de gente alfabetizada. Nosso orgulho de gente mais nova pode estrilar, mas o homem estava certo. A língua deles (seu mundo, seus sentidos, suas aspirações e becos-sem-saída) é etrusco para nós - algo que respeitamos e, ao mesmo tempo, não pescamos patavina.
Não foi a queda daquelas estátuas de Lenin, nem o esgarço da contracultura que abriu esse abismo entre nós. Foi o Mario.
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25-11-07
Metade dessa gente pra lavoura
Suíte não-antecipada: Juventus e Linense fizeram uma final épica da Copa Federação Paulista de Futebol. Linense 3 x 2, título do Juventus. O time da Mooca jogava em casa, na Rua Javari, aquele manifesto físico contra tudo o que o futebol se tornou. Por ter levado a primeira por 2 x 1 e somar mais pontos nas fases anteriores, o Juve tinha a vantagem de perder até por um gol de diferença. Até os 48 minutos do segundo tempo do jogo de hoje, a dianteira conferida pelo regulamento se desfazia num 3 x 1 para os visitantes. No último minuto, o Moleque Travesso, como é conhecido o grená de São Paulo, marcou o segundo, num lance catalogado como "chuveirinho agônico". A Marcha Eslava tocou nas alturas e os juventinos foram felizes para sempre. Fim.
Aposta resultante: a gradual conversão do futebol de primeira brasileiro num carnaval de escolas de samba, onde os pobres desfilam de favor e pedem licença para assistir, é a maior chance do socialismo revolucionário no Brasil desde a voga de "Se eu fosse o Getúlio", marchinha de 1953.
O Brasil tem muito doutor,
Muito funcionário, muita professora,
Se eu fosse o Getúlio,
Mandava metade dessa gente pra lavoura.
Mandava muita loura
Plantar cenoura
E muito bonitão
Plantar feijão
E essa turma da mamata,
Eu mandava plantar batata
Mao ainda vai virar mascote da torcida do América. Quando eles gritarem "sangue", estarão pedindo mais do que a vitória.
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23-11-07
I see white people
Testemunhas e imagens confirmam. Desde o tempo em que o Sul-Americano era disputado em estádios como o das Laranjeiras, no Rio, não se via um público tão branco quanto o que presenciou Brasil e Uruguai. Foi um Canal 100 em negativo.
Basta aumentar o ingresso de arquibancada para um quarto de salário mínimo e pronto: atinge-se o que nem a torcida da Lazio, aquela mesma que pendurou certa vez a faixa "Scuadra di negri, curva di ebrei" ("Time de negros, torcida de judeus", um ataque os rivais menos "arianos" da Roma), poderia sonhar. Experiência de laboratório perde.
Pela marcha das valquírias, 2014 vai precisar de figurantes - ou cotistas - para parecer uma Copa no Brasil.
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21-11-07
Extensão da pausa

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20-11-07
Pausa para desenho

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16-11-07
O mundo tem jeito

O subsecretário da ONU para questões humanitárias se chama John Holmes. Agora vai.
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14-11-07
Ângela Maria e Homem Aranha, juntos
Uma pérola, material de apoio para romancistas sem idéia: uma lista de apelidos correntes da bandidagem. Os "vulgos" constam de uma monografia apresentada em 2004 por Orlando Gomes de Castro, na Faculdade de Artes do Paraná.
A"Passo Triste", "Nego Sonho", "Quase Morto", "Promessinha", demais.Águia Negra
Ângela Maria
Anjo das Trevas
Arrombado
AzulãoB
Bagdá
Bebê Diabo
Bode Cheiroso
Boêmia
Brado Triste
Boneco
Bola Sete
BeiçolaC
Cabeção
Cara de cavalo
Carlos bang-bang
Capitão sujeira
114
Cemitério
Chaparrau
China
Chico 13
Corvo
Crioulo Doido
ChepaD
Dedo Mole
Delinger
Diabo Loiro
DjangoE
El Tigre
Elegância
Éter
EdinhoF
Fantasma
Feiticeiro
FenemêG
Gabiru
Galã
Gambá
Gambeta
Gardel
Gato Feliz
Gato Manso
Galo Doido
GoiabaH
115
Homem Aranha
Homem Borracha
Hóstia
HangaresI
Irmãos Metralha
J
Jagunço
Já Morreu
Jerico
João sem Sorte
João das PencasK
Kaká
Kid Meia Noite
King Kong
Kung FúL
Lança Alta
Lobo
Lord
Lustroso
Luz VermelhaM
Madame Satã
Madrake
Marta Rocha
Mazaropi
Mula MancaN
Nego Zero
Nelsinho da 45
116
Netinho
Neto
Nego SonhoO
Oito Dedos
Olho de Boi
OncinhaP
Pantera
Passo Triste
Pé de Anjo
Pé de Vento
Pelé
Pink
PromessinhaQ
Quaresma
Quase Morto
Querosene
QuimbaR
Rei da Fuga
Relâmpago Negro
Rufino
ReverendoS
Sabadala
Sadan
Sargento sem Braço
Serginho Maverick
Sete DedosT
117
Terrível
Tião Caveira
Tibiriçá
Treme Terra
Toni Tornado
TenentinhoU
Uns e Outro
Ursinho
Urubu Malandro
UrutuV
Vampiro
Venenoso
Vida Mansa
ViscondeX
Xandú
Xavante
Xepa XuxaZ
Zé do Caixão
Zé Pretinho
Zé do Osso
Zoinho
Zulu
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12-11-07
Slogans sem base (4)
O terror de resultados acabou com o terror-moleque.
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11-11-07
Resgate do bigode
If you're a Jew, the Hitler mustache exists in the eternal present. I grew it for the same reason Richard Pryor said the word "nigger." I wanted to defuse it. I wanted to own it. I wanted to reclaim it for America and for the Jews. My name is Rich Cohen, and I wear a Hitler mustache.
Bigode é confronto. É a questão cultural de vanguarda*.
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* Entre outras teimosias, meu avô Neco insistiu em dois absolutos até o fim da vida: o América e o bigode (à Jânio). Apesar de seguir outros caminhos, sou organicamente incapaz de antipatizar com qualquer um dos dois.
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09-11-07
Gota na bandeira

Quem não sabia, desconfiava que ia sair, mas mesmo assim: o timing do anúncio das novas reservas foi de profissional. Escolha é poder.
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08-11-07
Tommaso disse tudo

A polícia italiana botou as mãos nos Dez Mandamentos do cappo Salvatore Lo Piccolo, mafioso siciliano de primeiro escalão. Três deles têm a ver com a guarda das mulheres.
Il secondo:"Non si guardano mogli di amici nostri" (Não se mexe com esposa alheia);Il settimo: "Si ci deve portare rispetto alla moglie" (Devemos respeitar as esposas);
Il decimo: “L’organizzazione pone un veto su chi ha un parente stretto nelle varie forze dell´ordine e su chi ha tradimenti sentimentali in famiglia” (A organização barra quem tem parentesco próximo com integrantes das forças de segurança e quem tenha cometido adultério).
Quando você não dá a mínima para o "Não roubarás" e anda solenemente para o "Não matarás", precisa focar em outro alvo para somar dez preceitos. Questão de ênfase.
Mesmo defunto, algo dele tem a ver com isso.

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07-11-07
Brasil oficiau (7)
Quem não visitou a página da Escola Agrotécnica Federal de Muzambinho (EAFMuz) não sabe o que é humor.
Cúmulo do engano – Uma minhoquinha entrar numa macarronada pensando ser uma suruba.
Eles entram com a piada. A Viúva, com o faz-me-rir.
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06-11-07
Edita, caboclo, edita
Algumas curiosidades brasileiras do Wikiscanner, serviço que fuça alterações na Wikipedia:
1) Em pelo menos cinco oportunidades, computadores do Serpro, Serviço Federal de Processamento de Dados, deram um tapa no verbete "Bruna Surfistinha". Um exemplo aqui.
2) "Olavo de Carvalho" tem editores em guerra. Até gente de universidade está no meio da briga. Deve ser culpa do Foro de São Paulo.
3) Poucos verbetes relacionados ao país dão tanto pano pra manga quanto "Paulo Coelho". Há de tudo.
4) Um dos editores freqüentes de páginas relacionadas a nazismo ajudou na edição de "Henry Sobel". Acrescentou que "if Henry Sobel wasn't rich and influential, they would be sent to jail as every poor illiterate criminal". Tem mais também.
5) Está para surgir edição mais séria e cuidadosa do que a de "Gretchen".
Lançado por david às 06:36 | 1 cantando e rodando
05-11-07
Bloco Caveiras da Jamaica
O carnaval será dos capitães Nascimento maconheiros. Nossas contradições sambam.
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Pelo formulismo
O campeonato* de pontos corridos ganhou status de "fim da história" do futebol brasileiro, o ápice, o estágio onde cessam os conflitos sobre as verdades fundamentais. Quem critica é reacionário, invejoso ou as duas coisas juntas.
A harmonia venceu? A razão triunfou? Fomos engambelados. Nossas paixões de esporte não têm nada de regular. Por mais que nossa carapaça finja o contrário, não vemos mérito algum na regularidade. Desconfiamos de quem se dá bem sem drama, sem gangorra. O dito que "de grão em grão, a galinha enche o papo" é de uma violência, de uma negação sem tamanho. Na realidade, nossa galinha passa dias sem ciscar e, quando tem fome, se empanturra voluntariamente como ganso de foie gras e desaba na modorra, de papo cheio.
Nossas tabelas perderam a beleza. Não têm espírito. Cadê a repescagem que, em 1994, classificava para a fase final, mas também rebaixava? Onde está o mata-mata entre primeiro e oitavo que teve o mérito de, em 2002, revelar gente como Diego e Robinho? E o sensacional Torneio da Morte de 1989, drama do começo ao fim para escapar da Segundona?
Antes de se cansar, o Clube dos Treze montou tabelas interessantes - com drama, mas sem os delírios do tempo da ditadura**. Hoje, faz profissão de fé dos pontos corridos. Uma lástima.
Entre tantos argumentos disponíveis para a defesa da fórmula atual, alinham-se mais dois que, por tão óbvios, nem deveriam ser necessários: a conveniência de diversificar a natureza das competições, driblando a mesmice do mata-mata, e o valor inquestionável de dotar a principal competição brasileira da única fórmula capaz de apontar a melhor equipe, sem qualquer dúvida.
Há tudo, menos "mesmice" no mata-mata. Os campeonatos europeus é que são bingos de quermesse. Miramos no norte errado. Afora o critério regional dos grupos, a NBA e a NFL têm fórmulas de engenho e, afe, "certeza jurídica". Devem ser subdesenvolvidos eles, os americanos.
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* Leiam. É provavelmente o único assunto que eu entendo.
** Em 1974, renda era critério de classificação no Brasileiro. O Nacional de Manaus que o diga.
Lançado por david às 06:09 | 9 cantando e rodando
02-11-07
TV Pirata em pano rápido
A personagem de Débora Bloch chega para o open house de uns amigos grã-finos. Por circunstância, os anfitriões moram na favela. Ela entra na sala, uma daquelas salas brancas "default" de gente rica, mas tem a vista atraída pelos barracos do lado de fora.
Gente, estou cercada de Portinari.
Momento de consciência brasileira.
Lançado por david às 18:49 | 1 cantando e rodando
