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17-08-07

A mania de grandeza necessária

piauhy.jpg
Piauhy

Mais cedo ou mais tarde, alguém vai citar o nome de Nelson Rodrigues, o maior de todos nós, neste melê do "Cansei do Piauí".

Aos bois, antes que a carroça atravesse. O cronista-mor escreveu assim em O Globo, no dia 19/03/69:

Nem uma palavra sobre o Piauí. Silêncio ensurdecedor. Eu próprio passo dez anos, quinze anos, sem pensar no Piauí, e sem ouvir-lhe o nome. Alguém poderia dizer como se falasse da Lua: - "Piauí não tem vida". Graças às radiofotos fazemos uma idéia de paisagem lunar. Parece que lá em cima não há uma única e escassa lagartixa. Mas que noção temos nós da paisagem do Piauí? Quero crer que estejamos rigorosamente convencidos de sua inexistência. O silêncio que se faz sobre o Piauí é inédito. A única referência que temos, do seu povo e de sua terra, é o "meu boi morreu". E o próprio estado, com um fatalismo bovino, não pede verbas, não pede nada, não exala um protesto.

E o que mata é, justamente, a humildade. Dirão vocês que o Piauí tem a modéstia do pequeno, sim, a modéstia do pobre. Já contei, aqui, o que ocorreu no Vaticano. Uma senhora brasileira foi recebida pelo papa. Poucas palavras. Ao se despedir, Sua Santidade pediu, num sussurro: - "Reze por mim". Podia ter essa humildade porque era o papa.

Agora mesmo, há o caso patético do Cinema Novo. O Rio é, como se sabe, a sede do Festival Internacional do Cinema. Concentram-se aqui diretores, autores, astros de toda parte. Trata-se de uma festa mundial. Que faz o Cinema Novo? Resolveu tratar o festival "com o mais ultrajante desprezo, o mais feroz sarcasmo". E, portanto, age e reage como se ele, Cinema Novo, é que fosse a potência esmagadora, e seus artistas os gênios, as celebridades, a promoção mundial. Os idiotas da objetividade, que sempre os há, e sarcásticos, poderão ver, em tal arrogância, um sintoma de paranóia. Não sou psiquiatra. E acho que devemos deixar a modéstia, a humildade, para os Estados Unidos, a França, Itália, Japão. Nós precisamos de mania de grandeza, e repito: - a mania de grandeza é o nosso único luxo de subdesenvolvido. E, seguindo o estilo do Cinema Novo, o Piauí deve fazer pose de potência mundial.


O trecho, extraído daqui, dá medida do que o Nelson queria dizer. O complexo de vira-lata é uma saúva, um mal. Não, não é apologia do sou brasileiro e não desisto nunca, mas, antes, do que se dane, a gente (o Piauí e o resto) pode dialogar com qualquer um, sem pedir desculpas por entrar na sala de iô-iô.

Quando alguém vocifera, hoje, que "não se pode pensar que o país é um Piauí" não poderia estar mais distante daquela verdade do cronista - mal compreendida pra burro à época, aliás.

O Piauí do gênio morto era o Brasil, sem tirar nem pôr. O Piauí do executivo vivo é o Brasil que se nega.

Voto pelo espectro, voto no fantasma, aperto "MORTE" e confirmo.

lançado por david às 07:08, arquivado em O capitalismo está em crise

Comentários

Tendo complexo de vira-lata e um presidente que iguala bolsas de doutorado no exterior com o bolsa família, o Brasil continuará sendo o Piauí do mundo.

lançado por: marcus às 13:30 , 17-08-07

Gás do Piauí: Sulfídrico

lançado por: claudio às 23:57 , 17-08-07

Se alguém entendeu o texto acima como uma sacanagem com o Piauí, eu desisto.

lançado por: david às 12:28 , 18-08-07

“CARO AMIGO” . ESTOU FAZENDO UM TRABALHO DE DIVULGAÇÃO PELOS PRINCIPAIS E MAIS VISITADOS BLOG´S DO PAÍS. POSSUO UM SITE INDEPENDENTE SOBRE A TRAJETÓRIA POLÍTICA E SOCIAL DESTE QUE É UM ÍCONE DA ESQUERDA BRASILEIRA, JOÃO CAPIBERIBE. SE POSSIVEL AJUDAR NA DIVULGAÇÃO, POIS PRECISAMOS QUE MAIS PESSOAS SAIBAM DA VIDA E DA LUTA DESTE AMAZÔNIDA PELAS CAUSAS SOCIAIS E AMBIENTAIS. POR FIM, SABER DA GRANDE FARSA MONTADA POR SARNEY – INIMIGO FERRENHO DE CAPIBERIBE NO AMAPÁ - E SEUS ALIADOS PRÓXIMOS PARA TIRAR JOÃO CAPIBERIBE DO SENADO FEDERAL. E QUE CONSEGUIU A CONTENTO.

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MACAPÁ-AMAPÁ-AMAZONIABR
NEZIMAR BORGES

lançado por: Nezimar Borges às 23:37 , 01-09-07

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