15-07-07
O nome da vaia
No Rio, vaia é esporte.
O sujeito pode ganhar uma eleição de forma arrasadora na cidade, não interessa; se ele se faz de aparecido, leva uma. O outro pode viajar meio mundo para fazer o show mais aguardado do ano; se ficar mais um tempinho "por conta" na cidade, de bobeira, de coluna em coluna, vira "arroz de festa" ou "fim de carreira".
Não é por acaso que o carioca se descobre quando uma tia de longe vem à cidade com a câmera engatilhada para posar com o primeiro ex-BBB que topar na Zona Sul. Impressionado pela estranheza de modos tão forasteiros, nos revelamos na seguinte pergunta, em momento de consciência humana: como alguém pode não esnobar uma celebridade?
No Maracanã, pior ainda. O Maraca é o templo da vaia. A acústica do estádio não é das melhores, não funciona muito com grito; só funciona mesmo com vaia. Em 1998, pré-Copa, o Brasil jogou com a Argentina no templo do Flamengo. Cem mil pessoas viram o time do Zagallo levar uma lição de Batistuta, Claudio Lopez et caterva. Ninguém saiu muito triste, apesar do 1x0 pra eles. Naquele jogo chinfrim, em que vaiávamos antes de terminar o primeiro tempo, tínhamos encontrado dois novos mantras: "Raí, pede pra sair" e "Cafu vai tomar no...". Bastava. O dia estava ganho.
Na abertura do Pan, no mesmo estádio, os cariocas vaiaram Lula mais de uma vez. Leia-se "cariocas", e não brasileiros. A vaia no Rio não tem nada a ver com a do Amapá ou a de Sergipe - e não tem rigorosamente ponto algum de contato com Brasília. No resto do Brasil, a oposição que influi é de centro e centro-direita. No Rio, é de esquerda. O presidente foi vaiado pelos mesmos que zoaram os EUA, os mesmos que aplaudiram Cuba e os mesmos que não sabiam o que fazer com Bolívia e Venezuela.
No Rio, vaia é sobrenome.
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Bem, tem alguém que a gente não vaia.

lançado por david às 10:18, arquivado em O capitalismo está em crise
Comentários
Até critica a vaia de Lula (!) se faz, só pra falar mal do Rio. Tsc, tsc. :) Assim como Lula, se deveria relaxar e gozar um pouco mais.
[]s
lançado por: Fernando às 21:35 , 15-07-07
Ah!!!Obina vai voltar, Obina vai voltar...Ah!!!
Evidente que o Lula no templo do Flamenngo tinha que ser vaiado.
Lula é nome de ponta esquerda do Fluminense nas décadas de 60 e 70.
Somente os cariocas foram capazes de calar o boquirroto contumaz.
lançado por: claudio às 22:43 , 15-07-07
Saiu foi barato para a mãe, nascida analfabeta, do Lula. Muitas mães de filhos muito menos ladrões já sofreram mais do que somente saber de uma simples vaia.
Por um encerramento brilhante para o PAN apoio o ato covarde do presidente fujão: ele não deve voltar ao Maracanã, de preferência deve arrumar uma viagem para fora do país e carregar o vice doido junto.
Assim, seremos presididos pelo Renan e o Maracanã terá a chance de vaiar o amante da gestante, como ele merece.
lançado por: Arthur às 23:38 , 15-07-07
A vaia para os EUA foi por causa da amizade do Lula com o Bush.
lançado por: Arthur às 23:55 , 15-07-07
A vaia não foi carioca, foi daquele público. Eles é que assumam seu grito. Não tenho nada com isso. Estatisticamente, o carioca vota no Lula. Sou carioca. Sou classe-média. Não sou bolsista-família. Voto no Lula. Sempre votei e devo continuar votando, a seguir este mesmo quadro golpista que vem se avolumando. Nunca votarei na farsa do César Maia, marxista arrependido, mas nem por isso o vaiaria em um evento internacional. Em uma inauguração solene de um novo blog de sua autoria, certamente o vaiaria, mas nunca num evento internacional. Demonstraria imaturidade democrática. Roupa suja se lava em casa. Aquela vaia foi o paroxismo de um movimento que cresce desde o ano passado: os não-eleitores de Lula são incapazes de aceitar uma verdade eleitoral, e de peso. E, sabem como é... ninguém é preconceituoso até que pisam em seu calo. Os velhos preconceitos tão na moda em 89 voltam todos (analfabeto, burro, bêbado, feio, gordo, sem mindinho...). Geralmente se age assim quando falta argumento. É compreensível. Carência de senso crítico e talento para repetição de manchetes.
Após a prova real, cai mais um mantra: "Eleitor do Lula é o burro que ganha esmola". No período eleitoral de 2006, eram 9 milhões de famílias beneficiadas com o Bolsa (hoje são 11). Se, em cada uma delas, houvesse 3 eleitores, e se todos eles - todos, difícil, mas suponhamos - tivessem votado no operário-nada-padrão, ainda assim chegaríamos a um número menor do que 30 milhões de votos. Nosso presidente (nosso sim, de todos, dêem uma olhada na Constituição) recebeu 58 milhões. Façam as contas, ó povo esclarecido, informado e educado, com direito a 10 em matemática.
lançado por: Baruck às 17:42 , 02-08-07
