06-07-06
Marca humana

O vento levava mais que a fama de Clark Gable. Sobram provas testemunhais: dentro da boca de Rhett Butler, travava-se uma guerra civil bacteriológica. Mau hálito.
De Gable, não sobrou osso. Do bafo, restou a fama. Que o budum tenha sobrevivido em idéia muito depois de cessada a causa evidencia um fato: o mau hálito fede até sem cheiro.
Assim é por que trata-se de um mal eminentemente social. Tanto que um boato, sem base, mentiroso até a medula, pode ter o efeito de uma baforada de enxofre: o fulano, vítima do maldizer, passa por bafento e o chiclete que ele masca, a escova e o fio dental que ele carrega, tudo passa à condição de lenitivo - rito sumário.
Mas se houver realmente fedor na raiz, o affair ganha contorno trágico: o sujeito não consegue comunicar que padece sem comunicar seu mal, pelo ar. Que armadilha. Esqueçam os tratados médicos e as bulas de remédio, onde estão as peças, os romances, as crônicas do bafo?
lançado por david às 13:44, arquivado em Apostas
Comentários
Você não sabe de nada. Espere até aparecer Katrina, o filme (que é claro que vai aparecer).
lançado por: Jorge Nobre às 20:52 , 06-07-06
