28-04-06
Um ano de mó máfia

O Márcio Guilherme fez há algum tempo uma daquelas observações de raio-x.
Nós, brasileiros, tendemos a criminalizar o que não conhecemos. A evidência está no uso da expressão máfia para designar qualquer grupo de pessoas que não conhecemos fazendo algo que não conseguimos decifrar.
A ver. Se você fizer uma ronda por botecos no centro da sua cidade, pode descobrir, de conversa fiada em conversa fiada, que não apenas os donos dos bancos formam sua mó máfia exclusiva, também os velhos nas filas dos bancos, os seguranças nas portas dos bancos, os faxineiros nas latrinas dos bancos, os gerentes nas mesas dos bancos: mó máfia, mó máfia, mó máfia, mó máfia. E bancos são apenas um exemplo. Contadores, despachantes, vendedores de amendoim, bingueiros e taxistas de aeroporto, ninguém tem salvo conduto no jogo de aponta.
Mas, afinal, o que explica esse tique? Licença para um palpite mais que desautorizado: a necessidade de dar uma etiqueta familiar à zorra do mundo e mais um pouco, o desejo de intimidade. Quem desenreda a "trama" crê fazer um favor a quem ouve, iniciando-o no clube dos que "enxergam". Por conta desse "serviço", cobra status de amigo. Não tem caso pensado, não, tudo se resolve em um sorriso, uma piscadela ou um sussurro. Quando próximos, somos cordiais.
A propósito, amigo que alcançou este pé de texto se aprochegue pr'um conselho:
Cuidado com a turma do A Postos. Mó máfia.
lançado por david às 13:17, arquivado em Apostas
Comentários
Um sorriso, uma piscadela e um sussurro prucê,David: obrigada pelo queixo.
Beijo
NG
lançado por: Nariz Gelado às 22:50 , 28-04-06
Resolver "tramas" é divertido kkkk
Alguém pode me explicar o que é "Mó"?
Obgdo.
Sds
lançado por: Piddi às 16:04 , 30-04-06
"Mó dor de cabeça". "Mó furada". "Mó sacanagem", etc.
lançado por: david às 12:08 , 01-05-06
