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06-02-06

Pieguice política

Brokeback Mountain é bom - mesmo e principalmente quando é ruim: há algum sinal maior de normalização do que a pieguice? O piegas só floresce no normal. Fosse estranho, floresceria escândalo - e não há escândalo algum em Brokeback Mountain. Ain't no Bareback Mountain.

lançado por david às 13:19, arquivado em Baixa gastronomia

Comentários

Esse post ficou meio obscuro.

Bem, não concordo com o Filisteu. Sim, o filme não é político. Mas a forma como o público o recebeu, é. Pessoas não fazem fila pra ver um drama lento e arrastado apenas pelas suas qualidades estéticas.

lançado por: Marcus Pessoa às 15:03 , 06-02-06

Eu não entendo exatamente como você discorda, Marcus. Eu também acho que o filme em si não é político, mas é politizado por parte da platéia. Como eu escrevi no post, ele "é desnecessariamente politizado pelos comentaristas". Diabos, um dos modos como o filme anda sendo politizado é por gente de esquerda que diz que a direita não está fazendo escândalo para matar o filme para... matar o filme!

Mas é apenas parte da platéia. Não acho sequer que os casais gays fazendo fila -- e havia menos do que eu esperava no cinema que fui, mas meus pais e minha namorada disseram que foi desatenção minha -- foram ver o filme por motivos políticos. Eles foram veram um romance mainstream direcionado ao público gay do mesmo modo que o público S&M poderia assistir o excelente Secretária e o público hetero assiste, bem, todos os outros romances em cartaz.

O filme não é lento ou arrastado, ele apenas não tem uma direção bem definida. Não é plot-centric, e isso às vezes incomoda. Eu gostei do filme, mas achei que ainda faltava meia hora para acabar quando os créditos apareceram.

lançado por: Cisco às 21:03 , 06-02-06

O filme não é lento nem arrastado. Tem bom ritmo. O Ang Lee acertou na mão. Só botou glacê demais em algumas cenas, mas nao comprometeu o todo. Quatro estrelas.

lançado por: david às 11:41 , 07-02-06

Cisco, não sei se entendi mal o seu comentário, mas eu discordo que o Brokeback Mountain seja um romance mainstream dirigido ao público gay. Ele é justamente o contrário, um romance gay dirigido ao público mainstream. O que o diretor mostra é o seguinte: o amor entre dois homens é tão bonito e intenso quanto o amor entre homem e mulher. Ele cria uma empatia de qualquer pessoa, hetero ou homo, com a paixão e o sofrimento dos personagens homossexuais. Ou seja, é uma mensagem de igualdade, um convite à tolerância. Para mim, isso é um statement político ou, no mínimo moral, com impacto político. A reação do público em geral é sair do cinema mais simpático ao amor gay.

lançado por: Leila às 20:57 , 07-02-06

Bem, acho que exagerei quando falei que ele é "arrastado". Quis dizer apenas que não se enquadra no típico filme onde a fila dobra a esquina. É claro que eu gostei do filme também.

No mais, o comentário da Leila me contempla. No link que eu passei no primeiro comment tem uma frase interessante de um blogueiro amigo meu:

"O Ennis e o Jack não são frutinhas, e já notei que a homofobia na prática é mais um horror à pocpoquice que um horror à viadagem em si (O que explica em parte porque Alexandre bumbou)".

lançado por: Marcus Pessoa às 00:48 , 08-02-06

Ah sim, e quando falo em "reação política" do público, falo do público hetero mesmo. As pessoas foram pro cinema para ver, afinal, se os gays são pessoas tão legais assim.

lançado por: Marcus Pessoa às 00:49 , 08-02-06

O filme vale muitos mais pelo que é do que por essa retórica circundante de "tolerância" e "aceitação da diferença". Sorry, folks.

lançado por: david às 02:47 , 08-02-06

David, claro, o filme tem todos os méritos artísticos independente da temática. O que não dá para negar é o seu impacto político.

lançado por: Leila às 03:33 , 08-02-06

Mas eu não neguei isso, David.

lançado por: Marcus Pessoa às 11:32 , 08-02-06

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