© 2009 david

Por um formulismo renovado

Meu time é o campeão brasileiro, por incrível que ainda me pareça. Daí a autoridade para dizer em modo chororô-free: esta fórmula do Brasileiro, como está, é uma mentira.

Quem comprou a fábula primeiromundista do “prêmio à regularidade” e da “estabilidade dos contratos” quebrou a cara em 2009. O campeão Flamengo é a negação encarnada destas teses. Com seus buracos, paredes podres e construções a concluir, a própria Gávea te revela: para qualquer papo de “modernização”, o Flamengo serve como contraexemplo, com CNPJ.

Crus, os pontos corridos representam para o futebol brasileiro o que neoclássico faux representa para a arquitetura paulistana. À vera, na superfície mesmo, o pontos corridos são a Daslu do futebol brasileiro. E é daí que a minha conversa com o Tiago começou. Juntos, tentamos imaginar uma alternativa à balela das tranchesis da bola, e acabamos assim:

Vinte times, como hoje, disputariam dois turnos. Em caso de times diferentes vencerem cada turno, os campeões de turno se enfrentariam em três jogos finais. Para o rebaixamento, haveria um Torneio da Morte. Somados ao terceiro e ao quarto colocados da Série B, os quatro últimos disputariam um hexagonal em turno e returno (dez datas no total, jogos às quartas e sábados). Os três primeiros do Torneio da Morte ficariam na Série A. Os outros três cairiam para a B.

A partir daí, eu discordo do Tiago. Por mim, um dos três jogos finais seria realizado em campo neutro (o futuro Estádio Nacional, em Brasília, seria um bom começo) e a ordem das partidas seria definida por sorteio. Por ele, a equipe com melhor campanha geral deveria ter o privilégio de jogar duas finais em casa.

O que ficou em aberto é como seriam ocupadas as outras duas vagas para a Libertadores. Não chegamos a este refinamento, mas eu imaginaria uma liguilla ou um mata-mata entre os quatro não-finalistas mais bem colocados na tabela geral. Talvez isso seja demais.

Enfim, iremos resolver todas as pendências no Conselho Arbitral de 2017. Até lá.

20 Comments

  1. Posted 15 de dezembro de 2009 at 13:37 | #

    “uma liguilla ou um mata-mata entre os quatro não-finalistas mais bem colocados na tabela geral”

    Ou então, se o calendário apertar, pode ser os vices de cada turno, também.

  2. Posted 15 de dezembro de 2009 at 13:47 | #

    Pode ser. Outra opção é garantir logo os dois melhores não-finalistas.

  3. bruno
    Posted 16 de dezembro de 2009 at 1:14 | #

    o problema do ‘campo neutro’ é que ele não é tão neutro. brasília tem mais flamenguistas que corintianos, e mais corintianos que gremistas.

  4. Posted 16 de dezembro de 2009 at 11:16 | #

    Urubu azarão

    O título do Flamengo foi provavelmente a melhor solução, dentre as possíveis, para o Campeonato Brasileiro. A crônica futebolista terminou desmoralizada, após defender favoritismos enganadores durante o ano todo. O fracasso de treinadores célebres e supervalorizados, como Vanderlei Luxemburgo e Muricy Ramalho, demonstrou que a descortesia e a arrogância não ganham jogos.
    Agora, como sempre, tudo parece comprovar o sucesso dos pontos corridos, esta enorme falácia do podre mundo ludopédico. Poucos admitem, porém, que o triunfo rubro-negro (penta, insisto) contraria toda a cartilha da “regularidade” e da “competência” que parece associada ao modelo.
    Venceu um time fraco, montado às pressas, dirigido por técnico inexperiente, numa campanha irregular, com o clube em permanente crise, cercado de problemas financeiros e administrativos. Até outro dia, os comentaristas das capitais diziam que esse era um exemplo típico das injustiças do sistema com jogos eliminatórios e finais.

  5. João Paulo Rodrigues
    Posted 16 de dezembro de 2009 at 14:10 | #

    A sério, o que se quer mesmo é repetir 87, Eurico Miranda nas finais de 2000, Atlético Paranaense x São Caetano e tudo o mais? É aumentar as datas, tornando um inferno maior a vida de atletas e clubes com ainda mais jogos do que já existem? Em vez de defender o fim dos estaduais, os torneios mais inúteis e sem graça que existem (incluindo aí o da Fifa), o que se quer é apertar o torneio nacional ainda mais com essas idéias esdrúxulas, irracionais e idiossinacráticas de mata-mata atrás de mata-mata? Pô, então é melhor chamar a CBD de volta e organizar de vez um nacional com 90 times, 7 fases, turnos e returnos, semi-finais e finais em melhor de três, com bônus pra time com melhor público, zerinho-ou-um e ponto extra pro time que tenha a menor razão entre cartões amarelos por cartões vermelhos…

  6. Posted 16 de dezembro de 2009 at 14:44 | #

    Calma, João Paulo. O que sugeri tá muito longe disso. É só uma final e quando for necessário.

  7. João Paulo Rodrigues
    Posted 16 de dezembro de 2009 at 19:39 | #

    A final é um trojan. Quando abrir a porteira vai ser um Deus nos acuda. A cada ano um regulamento, uma novidade, uma descoberta sobre como nosso campeonato, por nossas peculiaridades de malemolência, cultura futebolística excepcional, nossa continentalidade, nosso arguto senso de esculhambação, deve ser o único no mundo que não segue o rame-rame básico e normal de aferir quem e o melhor, isto é, todo mundo joga contra todo mundo, com as mesmas condições (uma vez na minha casa, a outra na sua) e ganha quem somar melhores resultados.

    PS: ah, e o Flamengo foi o mais regular sim senhor. Começou mal e foi melhorando até o fim. Irregulares foram São Paulo, Inter e Palmeiras, que ficaram na cangorra…

  8. Posted 16 de dezembro de 2009 at 20:43 | #

    - O Flamengo perdeu de 5 a 0 para o Coritiba.
    - O Flamengo passou um bom bocado do campeonato pra lá da 10ª posição.
    - O campeonato mexicano não tem pontos corridos.
    - A NBA (torneiozinho de merda, né?) tem final.

  9. Posted 16 de dezembro de 2009 at 20:44 | #

    Sobre o México, é um campeonato em que circula muito dinheiro. E é visto que é uma beleza.

  10. Arkansus
    Posted 16 de dezembro de 2009 at 20:57 | #

    Genial, é espalhar a fórmula patética do ambicioso e imponente campeonato carioca ao resto do país. E como o BRasil não é tão bom como o Rio, tem que ter umas coisas a mais.
    Volta com os desenhos, vai!

  11. Posted 16 de dezembro de 2009 at 23:22 | #

    Essa não é a fórmula do Carioca. O Carioca tem semifinal em cada turno. E tem grupo. Quer dizer, não tem nada a ver. Vai pesquisar, vai!

  12. Posted 16 de dezembro de 2009 at 23:36 | #

    pra mim tinha q ser campeão e vice do módulo verde x campeão e vice do módulo amarelo

  13. Posted 17 de dezembro de 2009 at 0:07 | #

    Hahahaha.

  14. beta
    Posted 17 de dezembro de 2009 at 0:40 | #

    esse último foi exceção, normalmente o campeonato de pontos corridos é muito sem graça. paulista gosta, mas paulista ama assistir F1.

    eu acho que pelo menos tem que ter semifinal e final, com os dois primeiros de cada turno ou os quatro primeiros colocados, acho mais justo os 4 primeiros. eu também diminuíria o número de times pra 18 (subiriam e desceriam dois). mas dúvido que mude.

  15. beta
    Posted 17 de dezembro de 2009 at 0:43 | #

    e parabéns pra mim, que inventei não um, mas DOIS! acentos que não existem. acho que está na hora de ir dormir.

  16. João Paulo Rodrigues
    Posted 17 de dezembro de 2009 at 10:07 | #

    - E daí? Regular não é ser sempre bom.
    - Exatamente, de lá, só foi subindo, regularmente, passo a passo. David, até entendo seu trauma com os 3×0 do América, mas no dia em que o México é usado para salvar um argumento futebolístico, nada mais precisa ser dito.
    - E daí? Eu pensei que você defendia APENAS uma final e NÃO defendia os campeonatos criminosos dos anos 70 e 80 da CBD…

  17. Posted 17 de dezembro de 2009 at 13:56 | #

    O México tem uma liga forte. E tem muito mais a ver com a gente do qualquer país com dois times (Espanha), quatro (Inglaterra ou Itália). E sim: por mim, só tem final.

  18. Arthur
    Posted 18 de dezembro de 2009 at 19:10 | #

    Por mim as vagas da Libertadores e do rebaixamento deveriam ser definidas pelo desempenho médio nos últimos 3 anos. Quem vem da Série B começa com o desempenho dos últimos não rebaixados de 2 anos anteriores.
    A fórmula do torneio não importaria tanto, o mais importante seria colocar todos os times com interesse do começo ao fim do campeonato.

    Guilherme Penta, que time teu?

  19. Posted 26 de dezembro de 2009 at 16:48 | #

    David,

    Concordo. Essa história de pontos corridos faz um enorme sentido na Europa por conta das características locais – o maior pais da Europa Ocidental, a Alemanha, tem menos da metade da população do Brasil -, mas não se aplica ao Brasil. Eu lembro que aquele critário usado em 1998/99 mobiliza muito mais as pessoas: Turno Único, oito melhores seguem e disputam jogos eliminatórios seguindo o critério melhor de 5 pontos. Eu usaria esse sistema, só que com dois turnos e faria com que o primeiro colocado na fase classificatória se classificasse para a Libertadores, acontecesse o que acontecesse na fase final.

    Não posso deixar de classificar argumentos que qualificavam a antiga fórmula de disputa como “injusta” de falaciosos; se as regras valem para todos e são devidamente aplicadas, a fórmula antiga era tão “injusta” quanto a atual. No que toca o quanto essa modificação de sistema de disputa alterou o nosso futebol, não posso deixar de ressaltar que essa mudança foi pra pior: O time que mais ganhou o torneio com esse formato foi o São Paulo, o mais germânico entre os times grandes times brasileiros desde…sempre. Pelo menos neste ano o Flamengo jogava, apesar dos pesares, um futebol que tentava ser brasileiro – coisa que dentre os campeões, só o Corinthians campeão (controverso) de 05 repetiu um pouquinho; os dois times que Vandeco Luxemba conduziu ao título, Cruzeiro (03) e Santos (04), jogavam no mesmo estilo quadradinho do São Paulo tri de Muricy. Enfim, essa papagaiada não está fazendo bem para o nosso futebol dentro das quatro linhas.

    abraços

  20. Posted 27 de dezembro de 2009 at 21:26 | #

    Super coerente o futebol e o Brasil no contexto das artemanhas para se ganhar ou levar vantagens.Como já se sabe o Brasil é um país de todos, onde todos torcem para o time errado,fico pensando que se o fanatismo mudar de lado e vir para a politica, o peculato e afins seria algo menos visto do que o próprio Galvão bueno. (…)

    ..(os pontos corrido são a Daslu ..) foi d+ Parabens rsrsrs.

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