O Flamengo é campeão brasileiro. O termo me soa estranho, apesar de ter presenciado in loco duas das conquistas anteriores (87 e 92) e de ser tecnicamente gente durante as outras três (80, 82, 83). Dezessete anos gastam qualquer armadura: o suficiente para te fazer desconfiar da alegria. A fila te testa e o alívio, se e quando vem, é informado pela agonia. E veio. Nunca vi tanta gente chorando quanto após o gol do Angelim. Eu chorei. Meu pai, que já viu tudo no Maracanã, chorou junto. Tamanha choradeira pontuou uma vitória flamenga demais – arrancada, suada e bem mais difícil do que o oba-oba, esse eterno retorno rubro-negro, prenunciava.
O Flamengo é campeão brasileiro, e é mais Flamengo ainda: Andrade é o primeiro técnico negro a liderar uma equipe campeã nacional no Brasil, essa Suécia albina. Pelo sentido de emancipação, pelo eco na história e pela gangorra toda, emito da minha cova, agora decorada com mais uma faixa, a seguinte mensagem: SRN ETERNAS.


10 Comments
Saudações rubro-negras. O segundo Brasileiro que vejo. O de 92, tinha 7 anos. Não imaginava que teria que sofrer tanto. Mas valeu. Abraços.
eu chorei também! foi muito lindo.
Hexa saudações!
É isto aí, meus parabéns… Você tocou num ponto importante, o do racismo no futebol brasileiro, ao lembrar que Andrade é o primeiro técnico negro campeão brasileiro.
Há poucos lugares em que o racismo se faça mais presente do que no futebol brasileiro, ali o negro não tem vez. Se houvesse vontade política e comprometimento, este Governo deveria estender as cotas racias também ao futebol. E o que dizer de narradores negros, conhece algum? Claramente racismo. Dirigente negro, tem algum? Também não, racismo.
Meus parabéns por sua visão. E o sítio está muito moderno e belo.
Não esquece do remédio, cara.
SRN! Eu também tava lá, espetacular. Quase morri do coração, mas valeu a pena. E tava torcendo pra alguém ter tirado uma foto do céu depois do jogo.
“Se houvesse vontade política e comprometimento, este Governo deveria estender as cotas racias também ao futebol.”
Pra brancos, né?
Branco, branco tem quem no time do Flamengo?
Tirando o sérvio e o Juan, todo time do Flamengo poderia entrar como negro/mulato/índio nas cotas em universidades.
Nem sou contra as cotas, mas nessa você foi muito longe — mas ainda atrás da recepção ao presidente iraniano.
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Nunca vi tanta gente chorando quanto após o gol do Angelim.”
Mas espero que, depois do gol, você tenha dado boas risadas dos toques para o lado do time do Grêmio, né?
Muito engraçado.
Abraço.
Cada um que aparece… Abs, Márcio.
José Carlos,
Vai por mim, por experiência própria, é muito mais fácil e proveitoso reconhecer o mérito de quem venceu no campo.
Que linda foto de um dia lindo e histórico para nós flamenguistas.
Eu, a tantos quilômetros de distância do Rio, ouvindo o jogo pela internet, chorei também com o gol de Angelim, o angélico.
Parabéns pelo blog e pela foto… E, é claro, pela inteligência de torcer para o time mais sensacional do universo.
Saudações rubro-negras eternas!
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[...] Só saí do estádio uns quarenta minutos depois do fim. Se alguém tiver tirado foto do por do sol por trás do Maraca, por favor me mande. O David tirou, não deixem de ir lá ver. [...]
[...] em Aracaju, completando uma semana na terra, tempo suficiente para descobrir o quanto o NPTO ou o David se sentiriam em casa com o tamanho da torcida que o Flamengo tem na cidade. Por outro lado, ainda [...]