09-05-08

Israel: ou vai, ou racha

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Kookin'

Pelo calendário judaico, Israel completou 60 anos na quinta-feira, dia 5 do mês de yiar. Se você já leu sobre o assunto em outras paragens, já deve ter topado à exaustão com o lugar comum das “seis décadas sem paz”. De 1948 a este momento, sexagenária já, Israel segue armada até os dentes, pressionada pela demografia, incapaz de reconhecer a tragédia dos refugiados e hostilizada – em diferentes graus – pela vizinhança, yada yada yada. O que mudou de significativo? Se for para escolher um cavalo pra selar, lá vai: o Estado Judeu é mais judaico em 2008 do que em 1948.

Sintoma: uma pesquisa recente encomendada pelo Yediot Ahronot, um dos maiores jornais de Israel, apontou Abraham Isaac Kook (1865-1935), um rabino, no topo da lista de líderes que ajudaram a constituir o Estado - só criado em 1948.

Rav Kook não foi qualquer rabino. Foi ele que criou o sionismo religioso como conhecemos hoje: uma síntese de fé e nacionalismo que se apóia na idéia de que só na Terra de Israel (Eretz Israel) a luz que vem da Torá pode ser apreciada em sua plenitude. Na Israel de Kook, a posse da terra por uma nação que conhece a verdade revelada expande a potencialidade humana e, mais ainda, solapa a barreira entre ação e conhecimento.


“O povo judeu vive na diáspora um estilo de vida sem originalidade. Tanto é assim que os estudiosos da Torá, que fazem do espírito sua vida, não podem aspirar à originalidade na diáspora. [Na diáspora], preocupação com a comunidade, trabalho físico, Lei, ensinamentos rabínicos, Talmud, Cabala, Ética, pesquisa, poesia, leveza e seriedade, gramática e gematria (numerologia) são todas percebidas como contraditórias, quando, na realidade, estão todas unidas intrinsecamente. A harmonia espiritual só pode ser encontrada em Eretz Israel. A verdadeira Torá está em Eretz Israel.”

(Orot)


No contexto do sionismo, isso é uma mensagem revolucionária, não se engane. Era no começo do século XX, quando foi enunciada, e continua assim. É essa rationale de integração que anima os ideológicos entre os colonos da Cisjordânia e os políticos do campo "nacional/religioso". É essa mesma rationale que permite que, em contraste com os religiosos-da-capa-preta, eles sirvam exército.

Há 60 anos, os sionistas religiosos formavam apenas um braço de apoio, acanhado. Hoje, diante do relativo cansaço do sionismo secular, têm janela para irradiar seus ideais e não é nada, não é nada, elegerem Kook como patrono de Israel. Na mesma pesquisa, o fundador do Estado, o socialista laico David Ben Gurion (1886-1973), ficou em segundo. O rebbe Menachem Mendel Schneerson (1902-1994), ícone da movimento Chabad/Lubavitch, terminou em terceiro. Em quarto, terminou o criador do sionismo moderno, Theodor Herzl (1860-1904). Um ordenamento assim seria absolutamente impensável em 1948.

Israel vive sob o tic-tac de um relógio "judaizante". A menor fertlidade é a dos judeus seculares, os antigos "donos" do Estado, menos de 3 filhos por mulher. Na média dos dois, os haredim, que não servem exército, e os nacionais/religiosos têm mais de 5 filhos por mãe. Se, hoje, eles são cerca de 15% da população geral, devem passar dos 20% em 2020. Apesar das grandes diferenças de visão do mundo, haredim e kippot serugot ("kipás tecidas", em hebraico, apelido dado aos nacionais/religiosos) concordam na oposição a qualquer retirada. Todo esse giro para cair nisto: ou bem se cede terra agora, ou bem se desiste.

lançado por david às 12:42 | 0 cantando e rodando

08-05-08

Calma, Cabañas, Caxias não era Flamengo

É o giro, é o destino: um time de Obina tinha que ser massacrado por um Cabañas, um paraguaio obeso com bigodinho de Frida Kahlo.

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Frase do jogo (na saída): "esse jogo já não estava me deixando dormir; agora não vou ter disposição nem para comparecer com a minha mulher".

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Resumo da ópera (bufa): O Flamengo é mais que futebol, mas nem sempre é a mesma coisa. Ontem, por exemplo, foi uma proper fuck, créu. Voltaremos, voltaremos.

lançado por david às 09:59 | 2 cantando e rodando

07-05-08

Absurdo

"(...) Me tocou muito uma entrevista que a senhora disse que mentia muito para sobreviver no regime de exceção. O que quero dizer com isso tudo é que tenho medo de voltarmos ao regime de exceção. O dossiê é a volta do estado de exceção. É o uso do estado para encostar pessoas na parede (...) Queremos saber se o dossiê existe, quem mandou fazer, e para que foi feito."
Arame na uretra, arame na uretra, arame na uretra, arame na uretra, arame na uretra: se você repetir bem, a ponto de visualizar, vai dar conta do absurdo desta declaração de um senador da República, durante o depoimento de uma ministra de Estado, ex-presa política - e torturada. Não tem posicionamento, consideração tática ou motivo de força maior que cale o seguinte: não se faz, simplesmente não se faz. Direita ou esquerda, comprado ou vendido, que se dane - compostura, porra. Pela ordem, relator.

lançado por david às 17:47 | 1 cantando e rodando

Nova era

Depois do politicamente correto, o baianamente correto.

lançado por david às 10:29 | 1 cantando e rodando

06-05-08

Karl Heinz Marx Rummenigge

Vocês podem não acreditar. Mas, num certo momento da minha curta carreira, me deparei com a seguinte frase: Se Camões fosse vivo, teria mais de 480 anos. Pois bem. Se Karl Marx, o Beato Salu das Ciências Sociais, fosse vivo, teria completado 190 anos na segunda-feira. Parabéns, Papai Karl.

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Os duendes de Papai Karl não precisam de sindicato

É nisto que dá sonhar um mundo novo: quase dois séculos depois, você é condenado a encoxar postumamente um economista de renome.

lançado por david às 01:44 | 1 cantando e rodando

04-05-08

Favela, favela, a taça é da favela

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Deixamos 1968 para trás
Leia com trilha sonora: 'Domingo' (União da Ilha, 1977)

O aniversário de 40 anos de 1968 se salvou da irrelevância. Hoje, o Flamengo fechou o círculo e vingou a derrota daquele ano sobre o que hoje é uma religião em decadência: o Botafogo.

Escrevaí. Se você quiser saber algo sobre o Flamengo e os flamenguistas, guarde isto: nós não esquecemos, nós nunca perdoamos.

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Flamengo, Palmeiras e Cruzeiro? Alguém errou feio.

lançado por david às 19:09 | 6 cantando e rodando

03-05-08

Bun-dadaísmo é imperialismo

We're gonna rule the world, don't you know, don't you know?

Prova 1: funk carioca cantado em japonês:

Show da Tigarah, São Paulo, 02/05/08

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02-05-08

Culpa da minha avó

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Capa de um livro nunca publicado
Virou Mania, AGP

Tudo o que cresci ouvindo voltou para me atormentar: primeiro, Roberto Carlos e, agora, Agepê. Trinta vezes cada música, na lata. Somos a realidade de uma vida dura / Somos uma brasa ardente que não desfigura...

Continue lendo "Culpa da minha avó"

lançado por david às 01:30 | 1 cantando e rodando

01-05-08

A Conspiração do Viagra

Os velhos não vão deixar 1968 acabar tão cedo. Eles não vão largar o osso, nem emprestar a agenda. Talvez seja esta uma das conseqüências não-antecipadas da maior longevidade: as gerações mais jovens vivem mais tempo à sombra, do lado de fora da Mansão Playboy.

Tome 1789 - sem testemunhas, sem sobreviventes, um fato histórico é de todos. Se há testemunhas, se há sobreviventes, começa a partilha desigual - na empresa de 1968, nós, que nascemos depois, somos minoritários.

Fomos barrados, amigos, fomos barrados, mas teremos nossa forra. Chegará um dia em que nossos filhos e netos terão de engolir 1989: Bujica 2 x 0 Vasco, "Festa Profana" da União da Ilha, Marronzinho candidato, Muro de Berlim na chón, Praça Celestial, cadáver de Ceauşescu, Sega Genesis, o primeiro Dilbert e "Girl You Know It's True", by Milli Vanilli.

lançado por david às 00:54 | 0 cantando e rodando

30-04-08

Gentileza gera gentileza gera monetarismo

Se alguém entender o arrazoado deste grafite na região da Paulista, explique, por favor.

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Na base do giz

lançado por david às 01:51 | 4 cantando e rodando

29-04-08

Fato: iê-iê-iê mata

Você não precisa cheirar maconha, nem fumar cocaína, para achar que roleta-russa é só tão perigoso quanto tocar Jovem Guarda ou torcer para o Bragantino - basta entrar numa ONG.


Se liga, ô alma perdida

lançado por david às 19:58 | 1 cantando e rodando

Às vezes você me pergunta

A humanidade se divide entre aqueles que, mesmo em potência, gritariam "toca Raul" e aqueles que não.

lançado por david às 08:41 | 1 cantando e rodando

28-04-08

Mash-up supremo: Jeremias é urubu

A bandeira diz "Jeremias é FlaManguaça" (Flamengo 1 x 0 Botafogo)

Não é a primeira vez que isso acontece. Na Suíça, uma torcida de hóquei já usou uma página do Google para zoar um time rival.

lançado por david às 07:56 | 2 cantando e rodando

Nelson é Ned, Mandela é rodapé

Mas tudo passa, tudo passará

Um show épico? Nelson Ned no Largo do Arouche, Virada Cultural, 2008. Playback no último, público pós-apocalíptico e, sim, hits poderosos. Metade da platéia era gay; o resto estava lá travado, curioso ou convocado pelo Senhor. Foi esta gente, que junta, fez coro em "Segura na Mão de Deus", firme como se fosse "Smoke on the Water".

"Isto não é um público, é mais do que isso." Aos 61 anos, Ned cantou sentado o tempo todo. Para sair do palco, após um demolidor "Tudo Passará", precisou de ajuda. Foi ovacionado. O homem que estourou duas vezes a bilheteria do Carnegie Hall, "cantou em 45 países de três continentes" e encontrou um fã em García Marquez tomou o Arouche de assalto.

lançado por david às 02:28 | 4 cantando e rodando

25-04-08

Dura lex, intime por Sedex

No Brasil, o sujeito é inocente até opróbrio contrário*.

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* Não há caso registrado de opróbrio favorável. Mas, em nome do trocadalho, vamolá.

lançado por david às 11:44 | 1 cantando e rodando

24-04-08

In extremis

O Ubirajara fez um no Estádio dos Ventos Uivantes, na Ilha do Governador (1970). O Zé Carlos, outro, de pênalti, em Manaus (1997). Agora, Bruno, de falta, no Maracanã (2008). Não é todo dia que um goleiro rubro-negro marca um. Fiéis, companheiros de viagem, inimigos da fé e apóstatas, eu vi.

Doideira

lançado por david às 07:34 | 3 cantando e rodando

22-04-08

Gojira!

Lagarto banhado no Tietê

Godzilla está em São Paulo. Veio nos punir por estas chatíssimas brigas entre jornalistas. Enquanto isso, a cidade balança como Tóquio numa série japonesa.

lançado por david às 21:50 | 1 cantando e rodando

21-04-08

Senta no meu Aedes

O Rio anda passadista até nas suas moléstias. Nesta toada, a gripe aviária só pousará em Dengópolis lá pelos idos de 2088. Quando chegar o fim de maio deste 2008, e a poeira baixar junto com a temperatura e a umidade, Stevie Wonder poderia dar uma de arroz de festa (arroz à Jimmy Cliff), visitar a Guanabara e se autoparodiar: I've got Dengue fever, she's got Dengue fever / We've got Dengue fever, we're in love.

lançado por david às 14:31 | 0 cantando e rodando

19-04-08

Uma mensagem cifrada, com rumo certo

Existe uma peça de sabedoria universal que explica a "licença para rosetar" dos blogueiros*: Se o seu vizinho é o Pinochet, você está moralmente autorizado a cagar no jardim do prédio. É nessa rationale que se apóia a bandalha da venda de posts - prática disseminada, Lasciate ogne speranza, voi ch'intrate. Mecânica simples, se o esperto pinta bem feio o demônio da grande mídia ("estão todos vendidos ou comprados", "é tudo manipulado"), acha que pode até "se alugar" um pouco que não, ninguém vai notar.

Mas a gente nota, ah se nota.

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* Aliás, ainda há de surgir uma desocupação de nome mais feio.

lançado por david às 01:55 | 0 cantando e rodando

17-04-08

O elemento enquanto celebridade

Sim, existem programas mais interessantes do que fazer exercício ouvindo música hassídica no último. Um deles: vasculhar a lista de procurados da Interpol - e descobrir gente simpática e agradável.

A vida é bela
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Sérvia de Nis, procurada por roubo nos Emirados Árabes
Mire no mais velho
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Milivoj Asner, tio croata de 94 anos, procurado por genocídio e crimes contra a humanidade
Salve simpatia
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Zubaida Saddar Ud Din, o rosto do narcotráfico no Paquistão
Seja feliz
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Abdula Abdulla Haji, indiano, falsificador da pá virada
Pinte o sete
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Sergei Kornilov, descrito como "ATHLETIC BUILD - NARROW SHOULDERS, SHORT CUT FAIR HAIR (SUBJECT MAY ALSO DYE IT) HIGH AND WIDE FOREHEAD, MEDIUM EARS & ARCHED EYEBROWS, ALMOND SHAPED EYES WITH EYELID BAGS, SMILES FOLD, PROTRUDING CHI N WITH A DIM. BODY BENT FORWARD, QUICK STEP SLOW SPEECH, HOARSE VOICE, SMOKES A LOT, PROTRUDES THE LOWER JAW WHEN EXASPERATED" e procurado por "CRIMES AGAINST LIFE AND HEALTH, FUGITIVES, HOOLIGANISM/VANDALISM/DAMAGE"

lançado por david às 06:51 | 3 cantando e rodando

15-04-08

Repubblica di Salò

Alessandra Mussolini, neta do velho Mussola, vai ser deputada na Itália, de novo. Fica a questão: você fascia ou não fascia?

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Garota do Fascismo, versão 2006

Não está certo ainda?

lançado por david às 23:59 | 3 cantando e rodando

14-04-08

Ado-a-ado

Para uma palavra-chave pegar em política, ela tem que ser curta. Vamos supor que o "dossiê" seja, de fato, um "banco de dados" - que seja, pouco vale: "dossiê" fica, "banco de dados" voa e soa como uma promissória, expressão velha e cartorial. O mesmo para a "mensalão" x "caixa dois de campanha". Uma dá liga, outra empaca.

Teste rápido, pop: para uma palavra-chave pegar, ela tem que encaixar na "Dança do Quadrado". Se não encaixar, não vale.

lançado por david às 19:36 | 0 cantando e rodando

13-04-08

Ensaboa, mulata, ensaboa

A pedidos para compensar isto, mando uma da Jennifer Connelly fazendo qualquer coisa. Olhaí.

Prestando atenção

Não consigo me fixar no tema do anúncio, mas eu concordo.

lançado por david às 22:45 | 1 cantando e rodando

Favela, favela, o futuro é da favela

O Flamengo levou um couro inegável do Botafogo e, moto contínuo, veio das profundezas o coro alvinegro: "SILÊNCIO NA FAVELA".

O que fica de bom é o seguinte: ser "favela" é estar do lado certo da história. Desde os 1920, o futebol brasileiro (o jogo, a torcida, a paixão inteira) só avança quando toma o caminho do pobre. Não vai mudar tão cedo.

Como os palestinos na Cisjordânia, os albaneses no Kosovo e os latinos nos Estados Unidos, o Flamengo têm a demografia na ponta-de-lança. Quando a ampuleta escorrer, eles, os vitoriosos de hoje, pedirão para ser um pouco "favela" também. Aí, amigo, já era.

lançado por david às 20:50 | 1 cantando e rodando

12-04-08

O futuro da pornografia

O Godoy deu a dica: Compadre Washington, o George Martin do Tchan, vai fazer um pornô no Havaí. O círculo se fecha.

lançado por david às 15:49 | 4 cantando e rodando

10-04-08

Canibália

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Sobe aqui

Até o oba-oba deve ter algo de coerência. Taí o problema do relativismo: fica num meia-bunda conceitual.

Enquanto os brancos discutem o infanticídio indígena, uma prática em desuso, trato de um métier sempre em expansão: a putaria sancionada como crença.

Se o relativismo for à vera, deve valer para as subculturas também. Não pode tratar só de ianômami, somali ou judeu. O alemão que come gente, o brasileiro que adota o satanismo e emascula meninos, o americano que, por credo, se interna num rancho pra viver num “Éden” de pedofilia e incesto – se perguntados, todos dirão que aderiram, por ato de consciência, a um novo “corpus” social, apartado do qual formal e só formalmente estão ligados. Em outros termos, um alemão canibal não é um alemão “de fábrica”, é outro sujeito, de outra tribo.

Exagero? Nada. Para se atualizar e se redimir de seu antropologismo mofado, a tese relativista precisa de um choque de realidade: as identidades são fluidas e as relações de pertença, maleáveis. Alemão é circunstância. Alemão canibal é construção, um “salto” de cultura. O resto é determinismo ou, pior, submissão à ditadura de peritos que, do alto da cátedra, separarão o relativo do não-relativo.

Sem meia-bunda, é até aí que vai o relativismo. Topam embarcar?

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Afora os excessos, não, não há uma cultura "melhor" do que outra. A visão do pessimista informado é que todas têm zonas de sombra. Tropece e vire a esquina errada para ver como somos "melhores".

lançado por david às 19:48 | 1 cantando e rodando



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